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Uganda: maridos são maior ameaça de estupro para refugiadas

16 out 2012
09h59
atualizado às 10h23

As mulheres em campos de refugiados têm entre 8 e 10 vezes mais possibilidades de serem abusadas sexualmente por seus maridos do que por estranhos, apontou nesta terça-feira a Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV) baseando-se em um estudo realizado em campos de refugiados no norte de Uganda.

"Mais de 50% das mulheres sofreram abusos físicos nesses campos de Uganda e 41% delas foram forçadas sexualmente por seus maridos, em comparação com os 5% que foram abusadas por estranhos", afirma o Relatório Mundial sobre Desastres 2012 publicado hoje pela FICV.

O texto evidencia que, levando em conta esses números, "o lar" não é um lugar seguro para as mulheres nos campos de refugiados, que não só estão expostas a violações mas também ao maus-tratos físicos por parte de seus parceiros.

"A razão porque acontecem esses altos níveis de violência sexual por parte de seus companheiros não é clara, mas a perda do papel tradicional e autoridade dos homens nos campos de refugiados pode ser um fator predominante", acrescentou a FICV.

O relatório assegura que as situações de conflito e os desastres, em geral, "contribuem para um desmoronamento das estruturas relativas ao comportamento sexual dando lugar a práticas sexuais perigosas e ao sexo em troca dinheiro".

Nesse sentido, a FICV expressa no documento que o risco do contágio de aids de outras doenças sexualmente transmissíveis é um ponto-chave de preocupação nos campos de refugiados.

A Cruz Vermelha Internacional mostrou sua preocupação pela evidência de que altos níveis de violência de gênero e estupros que estão crescendo nos campos, "onde a insegurança e a erosão das estruturas judiciais são os fatores que mais contribuem para o aumento".

Nesse sentido, a FICV expôs ainda que os refugiados iniciam sua vida sexual quatro anos antes do que fariam em outro contexto, têm o dobro de possibilidades de fazer sexo de risco e o triplo de ter acesso limitado à renda.

Além disso, têm mais possibilidades de manter relações contra sua vontade e três vezes mais possibilidades de fazer sexo em troca de favores, especialmente as viúvas, divorciadas e solteiras.

Os dados, extraídos de um estudo feito no campo de refugiados de Lugufu, na fronteira oeste da Tanzânia com a República Democrática do Congo, são um retrato das consequências sociais e de saúde da vida dos refugiados, segundo a Cruz Vermelha.

"A pobreza crônica e a falta de oportunidades trabalhistas aumenta o risco do sexo em troca de favores. Além do fato de que neste contexto os homens controlam recursos que tipicamente eram controlados pelas mulheres", revela o relatório.

Em relação ao planejamento familiar, a FICV informou que entre 30% e 40% das mulheres na região de conflito da República Democrática do Congo, do Sudão e do Norte de Uganda não queriam ter filhos nos próximos dois anos, segundo um estudo do ano 2011.

No entanto, na maioria dos lugares o uso de anticoncepcionais modernos era inferior a 4% e dois terços das instalações que deveriam fornecer planejamento familiar não tinham equipe suficiente, material nem recursos.

Os números demonstram que, em conclusão, a saúde materna e sexual pode ser negligenciada entre a população deslocada, segundo a Cruz Vermelha Internacional.

Por outro lado, a FICV expressa no texto que é preciso prestar atendimento especial às minorias sexuais, especialmente lésbicas, homens transexuais e profissionais do sexo, que são expostos de forma frequente à violência sexual e à de gênero em situações de conflito.

EFE   

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