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29 de junho de 2012 • 03h04 • atualizado às 07h12

Senador uruguaio descarta ingresso da Venezuela em meio à crise

 
Felipe Schroeder Franke
Direto de Mendoza (Argentina)

Alberto Courier Curiel, senador do Uruguai presente à Cúpula do Mercosul que se realiza em Mendoza, no oeste da Argentina, acredita que entre as decisões a serem tomadas nesta sexta-feira pelos chefes de Estado não deve constar a promoção da Venezuela, atualmente Estado-associado, ao status de membro pleno. A crise do impeachment de Lugo abriu espaço maior à candidatura venezuelana. O parlamentar uruguaio, no entanto, justamente descarta que, neste ambiente de incerteza em Assunção, Caracas deva ingressar de forma plena na organização.

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"O Paraguai segue no Mercosul. Não foi expulso. Há uma suspensão por tempo determinado. Enquanto isso ocorrer, não tenho nenhuma dúvida que será muito difícil a Venezuela ingressar com todas as bases institucionais neste momento", disse. "Enquanto não se resolver o tema do Paraguai, não creio que a Venezuela possa ingressar definitivamente no Mercosul", afirmou Curiel, presente a seminários realizados por ocasião da Cúpula.

Curiel também acredita, seguindo os caminhos indicados pelos chanceleres do Brasil, Antonio Patriota, e da Argentina, Héctor TImerman, que o Mercosul deva optar pela manutenção da suspensão do Paraguai. "Creio que amanhã (sexta-feira) se dará a suspensão do Paraguai", oficialmente suspenso até o apagar das luzes da cúpula. "No julgamento de Lugo, se sente que as acusações não têm fundamento. (...) Chama profundamente a atenção um julgamento tão sumário", disse, em referência ao processo-relâmpago que, em pouco mais de 24 horas, abriu e aprovou o impeachment do presidente paraguaio eleito democraticamente em 2008.

Perguntado se a ausência de representantes paraguaios não torna a decisão a ser tomada no Mercosul limitada, uma vez que não dá aos líderes de Assunção a chance de se defenderem oficialmente, Curiel garantiu que os críticos de Lugo foram devidamente ouvidos. "Se você suspende alguém, não tem por que trazê-lo aqui. Isso, todavia, não quer dizer que não tenhamos tido conversas informais com os representantes do Paraguai", afirmou. "O que se sente com a cultura política de cada país é que é imprescindível que a democracia exista em todos os países e que se use a cláusula democrática para uma situação desta natureza", finalizou o senador.

Processo relâmpago destitui Lugo da presidência
No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área rural de Curaguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia 22, pouco mais de 24 horas depois, o Senado julgou o processo e, por 39 votos a 4, destituiu o presidente.

A rapidez do processo, a falta de concretude das acusações e a quase inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio - enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do ocorrido em Assunção.

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