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Sem Wyclef Jean na disputa, Haiti prepara campanha eleitoral

21 ago 2010
19h06
atualizado às 20h21

Com a aprovação da lista de candidatos à presidência do Haiti e sem o cantor de hip-hop Wyclef Jean na disputa, o país caribenho entra em estado de espera até 27 de outubro, quando começa a campanha para as eleições gerais de 28 de novembro.

Haitianos protestam em Porto Príncipe contra a impugnação da candidatura do astro do hip hop Wyclef Jean
Haitianos protestam em Porto Príncipe contra a impugnação da candidatura do astro do hip hop Wyclef Jean
Foto: Thony Belizaire / AFP

A oposição não reagiu imediatamente à decisão do Conselho Eleitoral Provisório (CEP), que rejeitou 15 das 34 candidaturas, embora personalidades ligadas a várias esferas políticas expressaram seu descontentamento na imprensa local.

A senadora Edmonde Suplice Beauzile, do partido Fusion, pediu aos seus aliados para quem mantenham a "rejeição" ao processo eleitoral, que considerou não crível e viciado. O senador Evalière Beauplan, do partido Pont, previu eleições marcadas pela "exclusão", enquanto seu colega Youri Latortue, do partido L'Artibonite en Action (LAA), sustentou que é preciso "olhar para juventude" que, segundo ele, apoiou a candidatura de Wyclef Jean.

Enquanto continua o debate sobre o processo em curso, se observou calma em Porto Príncipe, onde a presença da polícia e da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) é bastante visível.

Em comunicado divulgado neste sábado, a Minustah cumprimentou a divulgação da lista definitiva de candidatos presidenciais e expressou sua determinação de ajudar a garantir eleições livres, transparentes e justas. A força da ONU convocou os candidatos e partidos políticos a "respeitar a lei eleitoral e promover entre seus membros valores que permitirão que estas eleições sejam realizadas na maior serenidade e respeito dos eleitores".

A missão conjunta de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comunidade do Caribe (Caricom) pediu que candidatos, partidos políticos e eleitores "contribuam para a estabilidade do processo eleitoral em curso por continuar mostrando o espírito público e a participação democrática".

O Conselho Eleitoral Provisório (CEP) haitiano rejeitou 15 candidaturas e aprovou 19, segundo uma lista apresentada ontem por seu porta-voz, Richardson Dumesle. Além do rapper Wyclef Jean, outras personalidades descartadas foram o embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, tio de Jean, e a atual prefeita de Petionville, Claire Lydie Parent.

Entre os candidatos aceitos figuram os ex-primeiros-ministros Jacques Edouard Alexis e Yvon Neptune. O primeiro deles foi duas vezes chefe de governo sob o mandato do presidente haitiano, René Préval, enquanto Neptune exerceu o cargo durante o segundo mandato do ex-presidente Jean Bertrand Aristide.

Também foi aceita a candidatura de Jude Celestin, do governista Unidade, e que até pouco tempo foi diretor do Centro Nacional de Equipamentos (CNE), organismo designado por Préval para realizar as principais obras públicas de sua administração.

As candidaturas de outros atuais altos funcionários do Estado, como o ministro de Assuntos Sociais, Yves Christalin, o senador Jean Hector Anacacis, e o prefeito de Delmas, Wilson Jeudy, também foram aprovadas pelo CEP.

O organismo eleitoral aprovou também as candidaturas de outros ex-membros do Governo como os ex-ministros Josette Bijoux e Leslie Voltaire. A candidatura da líder do RDNP, a ex-senadora Mirlande Manigat, foi aceita, assim como a de Charles Henry Baker. Ambos fazem oposição ao Governo de Préval.

Michel Martelly, um popular cantor haitiano também conhecido como "Sweet Micky", também teve sua candidatura à Presidência aprovada.

Além de escolher um presidente, os haitianos irão às urnas em novembro para renovar dois terços do Senado de 30 membros e a totalidade da Câmara dos Deputados, que conta com 99 cadeiras.

Este processo eleitoral foi rejeitado por várias forças da oposição, que pediram a substituição dos membros do CEP, considerados pelos opositores como aliados a Préval.

EFE   

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