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Rússia e China vetam resolução do Conselho da ONU sobre Síria

NAÇÕES UNIDAS, 19 Jul (Reuters) - A Rússia e a China vetaram nesta quinta-feira uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) apoiada pelo Ocidente que ameaçava as autoridades sírias com sanções se não parassem de usar armas pesadas contra uma rebelião e retirassem as tropas de vilas e cidades.

Foi a terceira vez que a Rússia, um aliado-chave do governo sírio, e a China usaram seu poder de veto para bloquear resoluções do Conselho de Segurança da ONU destinadas a colocar pressão sobre o presidente sírio, Bashar al-Assad, e acabar com a violência no conflito de 16 meses que já matou milhares de pessoas.

A resolução vetada, que teria estendido uma missão de observação da ONU na Síria por 45 dias, recebeu 11 votos a favor, enquanto a África do Sul e Paquistão se abstiveram.

O embaixador da Grã-Bretanha na ONU, Mark Lyall Grant, disse ao Conselho que estava "chocado" com os vetos da Rússia e da China.

"O efeito de suas ações é para proteger um regime brutal. Eles optaram por colocar os seus interesses nacionais à frente das vidas de milhões de sírios", afirmou ele.

O seu colega francês, Gerard Araud, disse que os proponentes da forte ação da ONU sobre a Síria não seriam dissuadidos.

"Nós simplesmente não poderíamos ser cúmplices de uma estratégia que reuniu ação diplomática falsa e paralisia", disse Araud ao conselho. "Este veto duplo não vai nos parar. Continuaremos a apoiar uma oposição síria em seu caminho para a transição democrática na Síria."

O conselho de 15 membros ainda tem tempo para negociar uma nova resolução sobre o destino da missão desarmada antes que seu mandato inicial de 90 dias expire à meia-noite de sexta-feira.

Grã-Bretanha, França, Alemanha e Estados Unidos propuseram na resolução vetada que o plano de paz de seis pontos do mediador internacional Kofi Annan fosse colocado sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, que permite ao Conselho autorizar ações que vão desde sanções diplomáticas e econômicas à intervenção militar.

A resolução vetada continha uma ameaça específica de sanções se as autoridades sírias não parassem de usar armas pesadas e retirassem as tropas de cidades e vilas dentro de 10 dias.

Mas a Rússia já havia deixado claro dias antes da votação que bloquearia qualquer resolução sobre a Síria sob o Capítulo 7. A Rússia também apresentou uma resolução para estender a missão da ONU por 90 dias, mas ela não contém uma ameaça de sanções.

O Conselho de Segurança aprovou inicialmente a implantação da missão de observadores da ONU, conhecida como UNSMIS, para monitorar um cessar-fogo de 12 de abril fracassado sob o plano de paz de Annan.

Se a missão for renovada, o chefe da ONU, Ban Ki-moon, recomendou mudar a ênfase do trabalho do UNSMIS de 300 observadores militares desarmados para civis com foco em uma solução política e questões incluindo direitos humanos.

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