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Paraguai: massacre de sem-terra provoca mudança na cúpula policial

As mortes registradas durante uma operação policial de despejo de trabalhadores sem-terra no nordeste do Paraguai provocou neste sábado a renovação da cúpula policial e reabriu o debate sobre o conflito pela terra no país.

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, tomou juramento neste sábado do novo ministro do Interior, Rubén Candia Amarela, e do comandante interino da polícia, Arnaldo Sanabria, que substituíram os destituídos Rafael Filizzola e Paulino Rojas, respectivamente.

As mudanças ocorreram depois que pelo menos seis policiais e nove trabalhadores rurais morreram nesta sexta-feira em um confronto a tiros durante uma operação de despejo em uma fazenda em Curuguaty, distrito de Ybyrá Pytá, 380 km ao nordeste de Assunção.

Nesse confronto, no departamento de Canindeyú, que faz fronteira com o Paraná, também ficaram feridas 20 pessoas e foi detido um número ainda não confirmado de camponeses, segundo os últimos relatórios oficiais.

O fato, de grande repercussão na imprensa, motivou reuniões de urgência ontem mesmo em várias esferas do governo e reavivou a discussão sobre a posse e distribuição da terra no país.

Há décadas, se registram ocupações de terras por parte de grupos de sem-terras que acusam o Estado de ter distribuído ilegalmente terrenos a latifundiários e grandes produtores agrícolas, principalmente durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), mas nunca antes tinha chegado a este grau de violência.

Durante o regime "stronista", quase 6,75 milhões de hectares foram adjudicados irregularmente e outro 1 milhão nos 15 anos seguintes à queda da ditadura, o que representa 64,1% do total de terras entregues, segundo um relatório de 2008 elaborado pela Comissão de Verdade e Justiça (CVJ) do Paraguai.

Essas terras, segundo a CVJ, representam 32,7% da superfície arável do país e 19,3% de todo o território nacional, mas o Estado se mostrou até agora incapaz de conseguir sua recuperação.

EFE   
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