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Papa pede que cardeais evitem intrigas e formação de grupos

23 fev 2014
11h34

O papa Francisco pediu aos cardeais que compõem o alto escalão da Igreja Católica Romana, neste domingo, que evitem a intriga, a fofoca e panelinhas típicas de uma corte real.

Desde a sua eleição há quase um ano, Francisco tem dito frequentemente aos seus principais assessores para não viverem ou se comportarem como uma classe privilegiada. O papado de oito anos do seu antecessor, Bento, foi marcado por percalços e passos em falso, que foram muitas vezes atribuídos a uma burocracia problemática e a intrigas condizentes com as de uma corte Renascentista.

Neste domingo, Francisco celebrou uma missa com 18 dos 19 novos cardeais que foram elevados a esse posto no sábado. Um não pode comparecer porque estava doente.

"Um cardeal entra para a Igreja de Roma e não para uma corte real", disse Francisco em seu sermão, dando as boas vindas ao grupo de elite, aos homens que vão ajudá-lo a dirigir a Igreja no Vaticano e ao redor do mundo.

"Que todos nós possamos evitar e ajudar outros a evitarem hábitos e formas de agir típicas de uma corte: intrigas, fofocas, panelinhas e preferências", disse ele, durante uma cerimônia solene na Basílica de São Pedro.

Este foi o segundo dia consecutivo em que Francisco alertou os cardeais para que evitem tentações mundanas nos corredores do poder eclesiástico, seja em casa ou no centro nervoso da Igreja de 1,2 bilhão de membros.

Na cerimônia de posse de sábado, que teve a participação do ex-papa Bento, Francisco exortou os cardeais a evitarem rivalidades e facções. Foi a primeira vez que Francisco e Bento, que renunciou em 28 de fevereiro de 2013, ficaram juntos durante uma celebração litúrgica.

O papa Francisco pediu aos novos cardeais que se mantenham unidos entre si e com ele, enquanto o aconselham e ajudam a administrar a Igreja no Vaticano e além, com um espírito de simplicidade e dedicação.

Mais tarde, se dirigindo às dezenas de milhares de pessoas na Praça de São Pedro para a sua benção de domingo, Francisco disse que líderes católicos não deveriam se considerar detentores de poderes especiais ou chefes, mas deveriam se colocar a serviço da comunidade.

Desde a sua eleição em março do ano passado como o primeiro papa não europeu em 1300 anos, Francisco vem tentando infundir o Vaticano e a Igreja com seu estilo simples.

No mês passado, quando anunciou o nome dos novos cardeais, ele rapidamente enviou uma carta a cada um, pedindo que não vissem sua nomeação como uma promoção e que não desperdiçassem dinheiro com a realização de festas comemorativas.

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