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Papa abraça patriarca ortodoxo em encontro histórico em Cuba

12 fev 2016 - 17h06
(atualizado às 20h29)
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O papa Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill se encontraram na sala presidencial do aeroporto de Havana e se deram um abraço e beijos no rosto, naquele que é o primeiro encontro dos lideres das duas igrejas após o cisma do 1054. "Foi um encontro muito esperado tanto por mim como pelo meu irmão Cirilo (Kirill)", disse o papa aos jornalistas que lhe acompanham no voo que o levará à Cidade do México, entre eles a Agência Efe.

Foto: EFE

Minutos antes, Francisco deu um sinal importante que procura abrir uma nova etapa de diálogo entre as igrejas católica e ortodoxa após quase mil anos de cisma. "Hoje é um dia de graça. É um presente de Deus este encontro com o Patriarca Kirill. Rezem por nós", publicou o pontífice em seu perfil oficial da rede social Twitter.

O encontro ocorreu no aeroporto José Martí da capital cubana e foi o primeiro entre os chefes das igrejas católica e ortodoxa. A reunião entre os dois representantes terminou com a assinatura de uma declaração comum, segundo o Vaticano. A reunião durou cerca de duas horas, ao fim das quais eles trocaram presentes, fizeram um breve discurso para a imprensa e assinaram uma declaração conjunta, acertada previamente pelos assessores diplomáticos de ambos os lados.

Jorge Bergoglio deu ao colega um relicário com uma relíquia de São Cirilo e um cálice. Já o chefe ortodoxo entregou ao argentino uma cópia da "Mãe de Deus de Kazan", um dos principais ícones do Patriarcado de Moscou e venerada em toda a Rússia.

Foto: EFE

Papa e Cirilo pregam união cristã

"Finalmente!", foi a exclamação do papa Francisco ao ver o patriarca de Moscou, Cirilo I, na primeira reunião na história entre os líderes das igrejas Católica e Ortodoxa Russa. "Somos irmãos", disse o Pontífice logo em seguida, em espanhol. Em certo ponto, Cirilo afirmou: "Agora as coisas serão mais fáceis". Como resposta, Jorge Bergoglio declarou: "Está claro que essa é a vontade de Deus".

"Foram tantas as dificuldades, mas nos últimos 10 anos tentamos superá-las. Ainda que muitas dessas dificuldades não tenham desaparecido, hoje temos a possibilidade de preencher nossos corações", afirmou Cirilo I. Já com a imprensa presente, Francisco agradeceu ao povo cubano e a Raúl Castro e disse que, se Cuba continuar nesse caminho, será uma espécie de "capital da união".

Foto: EFE

A declaração conjunta assinada pelos líderes expressa a vontade de ambos de que o encontro contribua para o "restabelecimento dessa unidade desejada por Deus e pela qual Cristo rezou". "Pedimos à comunidade internacional que aja urgentemente para evitar novas expulsões de cristãos do Oriente Médio", diz o texto, que também cobra ajuda humanitária às áreas de Síria e Iraque afetadas pela violência e pelo terrorismo, bem como aos refugiados que vivem nos países limítrofes.

"Lamentamos que outras formas de convivência sejam hoje colocadas no mesmo nível dessa união, enquanto o conceito de paternidade e maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimônio, santificado pela tradição bíblica, é deposto pela consciência pública", ressalta a declaração conjunta.

"Nós conversamos como irmãos, temos o mesmo batismo, somos bispos. Falamos das nossas igrejas e entramos em acordo sobre o fato de que a união se constrói caminhando. Falamos claramente, sem meias palavras", afirmou o Papa.

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Com informações das agências internacionais

 

EFE   
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