0

Venezuela enviou combustível à Síria, dizem operadores

16 fev 2012
21h43

O governo esquerdista da Venezuela está despontando como um raro fornecedor de diesel para a Síria, o que pode ajudar o regime de Bashar al-Assad a manter sua ofensiva militar contra rebeldes e civis.

Uma carga de óleo diesel, que pode ser usada para abastecer tanques militares ou na calefação, deve chegar nesta semana ao porto sírio de Banias, segundo dois operadores do mercado e dados do setor de navegação. A carga estaria avaliada em até US$ 50 milhões.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, é um defensor exaltado de Assad, já que ambos têm em comum a inimizade com os Estados Unidos. Chávez ainda se pronuncia em defesa do falecido líder líbio Muammar Kadafi e de outros líderes árabes acuados por protestos populares nos últimos meses, como parte da chamada Primavera Árabe.

A estatal petrolífera venezuelana PDVSA embarcou o diesel no navio Negra Hipolita, segundo fontes setoriais e informações do Sistema de Identificação Automática que constam no Banco de Dados Reuters de Fundamentos do Frete. O mesmo navio-tanque já havia levado um primeiro suprimento em novembro, segundo as fontes. Nenhum representante da PDVSA foi imediatamente localizado para comentar.

O Negra Hipolita foi visto pela última vez na costa de Chipre, indo em direção a Banias, com chegada estimada para quarta-feira, segundo o monitoramento feito pela Reuters. Na quarta-feira, o sinal de satélite do navio foi desligado.

Em discurso no mês passado, Chávez disse que "as agressões contra a Síria estão continuando". "É a mesma fórmula que eles (o Ocidente) usaram contra a Líbia - injetar violência, injetar terrorismo do exterior, e depois invocar as Nações Unidas para intervirem", declarou.

Entidades de direitos humanos dizem que quase 6 mil pessoas já foram mortas na repressão do governo a 11 meses de manifestações na Síria. Os EUA, a Europa e a Liga Árabe pressionam Assad a deixar o poder, mas Rússia e China vetam qualquer iniciativa do Conselho de Segurança da ONU a respeito da crise.

A Venezuela, um país da Opep, já tentou também fornecer combustível ao Irã, que sofre sanções devido ao seu programa nuclear.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
publicidade