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União Europeia respalda envio de força internacional à Síria

13 fev 2012
09h38
atualizado às 11h27

A União Europeia (UE) disse nesta segunda-feira que apoia a proposta da Liga Árabe de enviar uma força de paz conjunta com a ONU à Síria para tentar pôr fim à violência no país. "Damos boas-vindas às contundentes decisões, ao compromisso e à liderança que a Liga Árabe está assumindo para resolver a crise na Síria", afirmou o porta-voz comunitário de diplomacia, Michael Mann.

Multidão pró-Assad recebe comitiva do ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Damasco. Lavrov chegou à Síria nesta segunda-feira para dialogar com o presidente Bashar al-Assad sobre a onda de violência no país
Multidão pró-Assad recebe comitiva do ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Damasco. Lavrov chegou à Síria nesta segunda-feira para dialogar com o presidente Bashar al-Assad sobre a onda de violência no país
Foto: AFP

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O funcionário lembrou que "o primeiro objetivo da UE é o fim imediato dos assassinatos". Por isso, o bloco apoia "qualquer iniciativa que possa ajudar a conseguir este objetivo, incluída uma maior presença árabe na região ao lado da ONU". "Estamos em contato permanente com o secretário-geral da Liga Árabe e com as Nações Unidas para discutir como realizar isto o mais rápido possível", afirmou.

O apoio à proposta da organização mantém a linha seguida pela UE desde o início do conflito, que sempre apoiou os esforços da Liga Árabe para deter a violência na Síria. Os países árabes concordaram neste domingo em pedir ao Conselho de Segurança da ONU a formação de uma força de paz conjunta que comprove o cessar-fogo na Síria. A iniciativa foi rejeitada imediatamente pelo regime de Damasco.

Mann disse ainda que os membros da UE devem atuar de forma "responsável neste momento crucial". A Rússia e a China vetaram as propostas de condenação do regime sírio no Conselho de Segurança da ONU.

A UE trabalhará também para apoiar o grupo internacional "Amigos da Síria", que se reunirá pela primeira vez em 24 de fevereiro, na Tunísia, com a presença da chefe da diplomacia comunitária, Catherine Ashton. Além disso, a UE está elaborando uma nova rodada de sanções contra Damasco, entre elas um veto parcial às transações com o Banco Central sírio.

O objetivo é que estas medidas sejam aprovadas na próxima reunião de ministros das Relações Exteriores do bloco, em 27 de fevereiro.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

EFE   
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