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UE suspende embargo de armas à oposição síria; Kerry e Lavrov discutem conferência

27 mai 2013
19h49

A União Europeia, reunida em Bruxelas, decidiu suspender o embargo de armas para as forças da oposição ao regime de Bashar al-Assad, no momento em que os chefes da diplomacia de Estados Unidos e Rússia se reuniam nesta segunda-feira, em Paris, para delinear os contornos de uma conferência de paz sobre a Síria.

Os ministros europeus de Relações Exteriores decidiram suspender o embargo de armas sobre as forças de oposição ao regime de Assad, informou o chanceler britânico, William Hague, acrescentando que as sanções contra o governo sírio serão mantidas.

"É uma boa decisão e envia uma mensagem muito forte da Europa ao regime de Assad", destacou o chanceler britânico.

Hague destacou que a Grã-Bretanha não prevê "de imediato" fornecer armas à oposição síria, apesar da decisão da União Europeia de suspender o embargo.

"Apesar de não termos um plano imediato para enviar armas à Síria, (a suspensão do embargo) nos proporciona a flexibilidade para fazê-lo no futuro diante de um agravamento da situação", declarou Hague ao final da reunião em Bruxelas.

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, deveria retornar em caráter de urgência de Bruxelas, onde os 27 países europeus aprovaram o fim do embargo de armas, para se reunir com o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em Paris.

Lavrov e Kerry analisaram em encontro na capital francesa detalhes de uma conferência internacional sobre a paz na Síria, com a participação das partes em conflito.

O chanceler russo afirmou na saída do encontro com Kerry que organizar uma conferência de paz sobre a Síria não será "tarefa fácil".

"Nós discutimos as formas de proceder (...) para que esta conferência seja realizada. Realmente, não é uma tarefa nada fácil", declarou Lavrov, cujo país apoia o regime de Damasco.

Lavrov e Kerry, que se reuniram pela sexta vez desde que o americano assumiu a pasta em fevereiro, discutiram a data de uma conferência de paz e quais representantes da oposição síria e do regime do presidente Bashar al-Assad participarão.

"Como disse John (Kerry), nós estamos concentrados na necessidade de determinar a lista de participantes do lado sírio, o grupo do governo e o da oposição, como havíamos dito em Moscou", explicou Lavrov.

Se Damasco der seu "acordo de princípio" para participar desta conferência internacional, denominada de Genebra 2, a oposição síria, reunida desde quinta-feira em Istambul, parece estar profundamente dividida e não se pronunciou sobre sua presença. As negociações continuavam sem sinais de avanços na noite desta segunda-feira, segundo um membro da coalizão síria.

O chanceler russo destacou que a conferência de paz poderia ser "ampliada para incluir todos os atores chave" na região. Moscou deseja há tempos que o Irã, que apoia o regime de Damasco, participe das negociações, o que os Ocidentais rejeitam.

Em junho de 2012, a primeira conferência de Genebra reuniu os chefes da diplomacia de cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha), representantes do Iraque, do Kuwait, do Catar e da Turquia, bem como encarregados da ONU e da União Europeia.

Fabius disse nesta segunda-feira haver "suspeitas crescentes" sobre o "uso localizado" de armas químicas no conflito na Síria, embora tenha acrescentado que ainda seria necessário "uma verificação detalhada" para confirmar esta informação.

Enviados especiais do jornal francês Le Monde, presentes na Síria em abril e maio, insistiram esta segunda-feira no uso de armas químicas contra as forças rebeldes nas proximidades de Damasco.

O uso de armas químicas já tinha sido objeto de suspeitas há várias semanas e em diversas regiões da Síria, mas até agora isto não pôde ser comprovado.

A ONU tem pedido a Damasco de forma insistente que permita a especialistas investigar as acusações recíprocas entre o governo e grupos rebeldes sobre o uso destas armas.

Neste contexto, a comunidade internacional se concentra na conferência de paz.

Em Paris, as discussões a portas fechadas na noite desta segunda-feira deveriam permitir - segundo um diplomata francês - fazer esclarecimentos sobre os participantes da conferência, prevista para uma data em junho, ainda não definida. Também discutem o mandato desta conferência.

O governo sírio, apoiado pela Rússia, já anunciou sua decisão "de princípio" de participar da conferência, ao mesmo tempo em que a oposição, reunida desde a quinta-feira em Istambul, permanecia profundamente dividida ao ponto de não poder se pronunciar até agora.

A oposição, no entanto, havia pedido à UE que suspenda o embargo às armas, alegando que as forças governamentais tinham retomado a ofensiva e ganhavam terreno em áreas controladas pelos insurgentes.

Apoiado por combatentes do grupo libanês Hezbollah (que sofreu pelo menos 79 baixas em uma semana), o exército sírio travava combates na segunda-feira para recuperar a cidade de Qousseir, no centro do país.

Yara Abbas, uma jornalista de 26 anos, que trabalhava para a rede síria de televisão Al Ikbariya, morreu perto do aeroporto de Dabaa, a 6 km de Qousseir.

Em Homs, no centro do país, pelo menos quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na explosão de um carro-bomba, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, advertiu esta segunda-feira para o "pesadelo" que se desenha na Síria. Uma "catástrofe humanitária, política e social já está ocorrendo e um verdadeiro pesadelo nos espera", disse.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse por sua vez sentir-se "profundamente inquieto" diante do papel crescente do Hezbollah na Síria.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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