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Surgem divergências entre rebeldes no Iêmen; explosões sacodem Sanaa

20 abr 2015
19h25
atualizado às 19h25
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As primeiras divergências surgiram entre a rebelião no Iêmen, mas os huthis, acusados de manter relações com o Irã, prometeram lutar até o fim contra a "agressão selvagem" da Arábia Saudita.

Nesta segunda-feira, 28 civis morreram e trezentos ficaram feridos na capital do Iêmen, Sanaa, onde dois ataques aéreos da coalizão liderada pelos sauditas para combater os rebeldes foram registrados contra um depósito de armas, causando a destruição de dezenas de casas e de um posto de combustível.

Entre as vítimas estão três funcionários da emissora de televisão local Yemen al Yum, inclusive um jornalista, indicou um membro dos serviços médicos, que disse temer um balanço ainda maior, em vista da quantidade de feridos graves.

Os dois ataques da coalizão atingiram uma base de mísseis em Fajj Attan, na saída sul da capital Sanaa, provocando enormes explosões.

A base em questão pertence à Guarda Republicana, corpo de elite do exército iemenita que se mantém fiel ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh, que se aliou aos huthis contra o governo do atual presidente, Abd Rabbo Mansour Hadi, atualmente refugiado na Arábia Saudita.

Os Estados Unidos enviaram seu porta-aviões Theodore Roosevelt para perto da costa iemenita para "assegurar que as rotas vitais da região permaneçam abertas e seguras", anunciou a Marinha americana em um comunicado.

O porta-aviões, que estava no Golfo Pérsico para participar de operações contra o grupo Estado Islâmico (EI), atravessou o estreito de Ormuz para se aproximar do Golfo de Áden e ao sul do Mar Vermelho.

O Roosevelt é escoltado pelo navio lança-mísseis Normandy.

No total, nove navios militares americanos estão nas proximidades do Iêmen, onde a Arábia Saudita e países aliados bombardeiam há um mês posições dos rebeldes huthis, xiitas, e das forças do ex-presidente Saleh.

Os Estados Unidos não intervêm nestas operações, mas dão apoio logístico e de inteligência à coalizão comandada por Riad.

No domingo, o comando militar da maior província do Iêmen anunciou o apoio de 25.000 soldados ao presidente Hadi, enquanto um partido até então aliado dos huthis declarou apoio ao apelo da ONU a um cessar-fogo.

Neste contexto, em um discurso televisionado, o jovem líder da rebelião, Abdel Malek Al-Huthi, afirmou que o "povo iemenita não cederá jamais" à "agressão selvagem" da Arábia Saudita, que continua com seus ataques aéreos desde 26 de março para parar o avanço dos rebeldes no sul do país.

Abdel Malek Al-Huthi criticou violentamente Riad e rejeitou as acusações de que seus combatentes teriam recebido apoio militar do Irã. "Teerã não tem influência no Iêmen", assegurou.

O Irã reconhece que apoia os huthis, da minoria zaidi, mas nega o fornecimento de armas.

Apesar disso, o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, denunciou, nesta segunda, no Líbano, um "esforço de desestabilização" do Irã no Iêmen e declarou seu apoio à coalizão.

"Por iniciativa da Arábia Saudita, os países da região desejaram unir suas forças para por um fim ao esforço de desestabilização, patrocinado do exterior, do qual o governo legítimo do presidente (Abd Rabbo Mansour) Hadi foi vítima", disse Le Drian na residência do embaixador francês em Beirute.

"A França nunca transigirá com aqueles que querem mais uma vez destruir as instituições legítimas de um país para aumentar sua influência e realizar o sonho de uma potência regional hegemônica", acrescentou.

Também na segunda, o ministro iemenita das Relações Exteriores no exílio rejeitou qualquer mediação do Iêmen no conflito e evocou a ideia de um "Plano Marshall árabe" para a reconstrução do país uma vez que a situação seja estabilizada.

"Todo esforço de mediação do Irã é inaceitável porque o Irã está envolvido no conflito no Iêmen", declarou Riad Yassin.

Os rebeldes, que conquistaram vastos territórios desde que entraram em Sanaa, em setembro de 2014, não teriam tido tal sucesso sem o apoio de tropas leais ao ex-presidente Saleh (no poder entre 1978 e 2012), lembram os especialistas.

Mas no domingo, o partido de Saleh, o Congresso Geral do Povo (GPC), deu a impressão de querer se distanciar dos huthis. Ele anunciou em um comunicado seu "apoio positivo à resolução 2216", adotada em 14 de abril pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Este texto impõe um embargo de armas contra os rebeldes e exige que se retirem de todas as áreas que conquistaram nos últimos meses.

O partido de Saleh também disse "apoiar o apelo do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a um cessar-fogo" e à "retomada do diálogo sob os auspícios das Nações Unidas", visando uma solução política no Iêmen.

Enquanto isso, o comando da 1ª Região Militar, com sede na província de Hadramout, que compartilha uma longa fronteira com a Arábia Saudita, anunciou sua adesão ao presidente Hadi.

Em um comunicado assinado pelo general Abderrahman al-Halili, "os oficiais, sargentos e soldados" que servem nesta área "apoiam a legalidade constitucional representada pelo presidente".

Esta região militar, que inclui seis batalhões, abrange um território que se estende desde a fronteira de Omã, no leste, até a fronteira com a Arábia Saudita, no norte, e inclui os campos de petróleo de Mareb e Shabwa, disse à AFP um funcionário do comando em Seyoun.

A coalizão de nove países árabes, liderada pela Arábia Saudita, continua a afirmar que a sua campanha de ataques aéreos tem produzido resultados significativos.

Sua aviação, que realizou "2.300 saídas" sobre o Iêmen, possui agora "controle total do espaço aéreo", segundo o porta-voz saudita da coalizão, Ahmed Assiri.

Ele estabeleceu três objetivos para o "próximo passo" da operação: "impedir os movimentos operacionais das milícias huthis, que já se tornaram lentos, proteger os civis e (facilitar) os esforços humanitários para aliviar o sofrimento dos iemenitas".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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