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Rebeldes sírios mantêm exigências para libertar observadores da ONU

8 mar 2013
13h55
atualizado às 14h46

As autoridades filipinas confirmaram nesta sexta-feira que o grupo rebelde que capturou 21 observadores filipinos da ONU na Síria insiste que, para libertar os reféns, as tropas do regime de Bashar al Assad devem se retirar de uma zona situada perto das colinas de Golã.

No primeiro sequestro deste tipo desde o início do conflito, há quase dois anos, os insurgentes sequestraram na quarta-feira 21 observadores filipinos da Força das Nações Unidas de Observação da Separação (FNUOS), encarregada da manutenção da paz nas colinas do Golã (sul), ocupada em grande parte pelo Estado hebreu.

A Brigada dos Mártires de Yarmuk, o grupo insurgente que os capturou, indicou ao Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) que exigia a retirada do exército da região de Jamla, a 1,5 km da linha de cessar-fogo.

Os guerrilheiros sírios acusam a FNUOS de trabalhar com o exército sírio para arrasar com a insurreição contra o regime do presidente Bashar al Assad.

Uma fonte da ONU indicou que a FNUOS utiliza de "todos os canais para comunicar-se com o governo sírio e com a oposição e que vai adaptar sua presença no Golã por razões de segurança, sendo que já reduziu as patrulhas de seus observadores".

Segundo o OSDH, os sequestradores também pediram que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha garanta uma saída segura da zona de Jamla para os civis.

No resto do país, o exército continuava com seus bombardeios em Raqa (noroeste), a primeira capital provincial que caiu na quarta-feira em mãos dos insurgentes desde o início do conflito, assim como Homs (centro) e Aleppo (norte), segundo o OSDH.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, por sua vez, afirmou estar convencido de que o presidente sírio não deixará o poder e insistiu que seu país não tem "em absoluto" a intenção de pedir sua saída, em uma entrevista à BBC.

"Não cabe a nós decidir quem deve governar a Síria. Os sírios devem decidir", declarou o ministro, reiterando assim a posição russa no conflito sírio, que, segundo a ONU, provocou quase 70.000 mortes em dois anos.

Ao ser questionado se existia alguma possibilidade da Rússia pressionar Assad para que ele deixe o poder, respondeu: "Em absoluto. Sabem que temos por princípio não intervir nas mudanças de regime. Somos contrários a interferir nos conflitos internos".

"Assad não sairá, sabemos com certeza. Todos os que estão em contato com ele sabem que não exagera", afirmou Lavrov.

A Rússia, que fornece armas a Damasco, bloqueou, ao lado da China, todos os projetos de resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenavam o regime de Assad.

Também nesta sexta-feira o ex-primeiro-ministro sírio e dissidente Riad Hijab pediu ao Conselho de Segurança da ONU que garanta a proteção do povo sírio e autorize o fornecimento de armas à oposição.

"Pedimos aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que assumam suas responsabilidades para proteger o povo sírio", declarou Hijab durante uma reunião em Doha de seu partido, o Grupo Nacional Livre.

Hijab criticou os que dizem "temer que a Síria caia nas mãos de extremistas ou em guerra civil", para justificar a oposição ao repasse de armas ao Exército Sírio Livre (ESL, rebeldes).

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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