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Putin adverte Netanyahu sobre atos que possam desestabilizar a Síria

14 mai 2013 - 12h49
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O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu nesta terça-feira para qualquer ação que possa "desestabilizar a situação na Síria", após se reunir com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que ordenou ataques aéreos no início do mês nas imediações de Damasco.

A visita do chefe de governo israelense à Rússia foi anunciada no sábado, logo depois de Moscou ter confirmado sua intenção de fornecer a Damasco sistemas terra-ar S-300, armas sofisticadas capazes de interceptar em voo aviões ou mísseis guiados. Esse sistema seria um equivalente russo das baterias de mísseis antimísseis americanos Patriot.

Um membro do governo israelense insistiu no domingo que Netanyahu estava "completamente decidido" a impedir essas entregas.

É crucial neste momento importante evitar qualquer ação que possa desestabilizar a situação", declarou Putin depois da reunião com Netanyahu.

O governo russo confirmou na sexta a intenção de fornecer o armamento, apenas três dias depois da visita do secretário de Estado americano, John Kerry, e de ter manifestado a esperança de uma solução negociada.

A informação havia sido divulgada pela imprensa americana dias depois de Israel bombardear alvos próximos a Damasco, em uma operação para impedir, segundo fontes do país, que armas sofisticadas chegassem às mãos do Hezbollah libanês, aliado do regime de Bashar al-Assad.

As agências de notícias russas não informaram sobre os sistemas S-300 ao final do encontro entre Netanyahu e Putin.

"Desejamos conseguir a paz com todos os nossos vizinhos. Conseguimos concluir acordos de paz com dois de nossos vizinhos. Queira Deus que possamos conclui-los com os outros", afirmou, por sua vez, Netanyahu, que acrescentou, segundo a Ria Novosti, que o governo israelense deve "defender seus cidadãos".

A instalação deste tipo de sistema defensivo terra-ar complicaria qualquer projeto militar aéreo dos Estados Unidos ou de seus aliados contra a Síria, assim como o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre o país ou uma intervenção militar para desmantelar armas químicas.

Moscou e Washington haviam pedido a realização de uma nova conferência internacional para promover uma solução política para o conflito, negociada entre o regime sírio e a oposição.

Segundo o jornal Kommersant, Putin confirmou na sexta ao primeiro ministro britânico, David Cameron, que também viajou à Rússia para abordar a questão síria, que Moscou tem a intenção de entregar esses sistemas a Damasco.

Os analistas divergem sobre os efeitos desta ameaça russa.

"Logicamente, depois de dois ataques da aviação israelense na Síria, será difícil para Netanyahu dissuadir o presidente russo de fornecer armas defensivas" ao seu aliado, considera Boris Dolgov, do Instituto russo de estudos orientais.

Já Viktor Kremeniuk, do Instituto Estados Unidos-Canadá de Moscou, considerou que Netanyahu está advertindo "indiretamente que Israel destruirá esses S-300".

Os analistas são unânimes ao acreditar que a entrega efetiva deste armamento continua sendo incerta.

Este acordo foi concluído em 2010 para a entrega de quatro baterias de mísseis S-300, que contêm seis plataformas de lançamento e 144 mísseis com alcance de 200 km, por uma quantia de 900 milhões de dólares, de acordo com informações de uma fonte israelense citada pelo Wall Street Journal.

Depois de sua passagem por Moscou, Kerry advertiu que o fornecimento de armas pode ser "potencialmente desestabilizador" para a região.

Depois de Kerry, Cameron e Netanyahu, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, deve visitar a Rússia de 16 a 19 de maio.

O presidente americano, Barack Obama, exortou na segunda os russos a mudarem de posição.

Mais de 94.000 pessoas morreram na Síria desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, segundo um novo registro divulgado nesta terça-feira pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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