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Protestos no Barein matam dois xiitas; rei promete investigar

15 fev 2011
11h05
atualizado às 11h29

Dois manifestantes xiitas morreram em confrontos com a polícia do Barein e, para protestar contra a repressão das manifestações, o principal bloco de oposição xiita do Parlamento suspendeu sua participação na assembleia, o que levou o rei bareinita a anunciar a abertura de um inquérito ministerial para investigar as mortes.

A Associação do Acordo Nacional Islâmico (Al Wefaq), que ocupa 18 das 40 cadeiras da Câmara, "suspendeu sua participação" no Parlamento do reino de maioria xiita, disse à AFP, por telefone, o parlamentar Khalil al-Marzooq.

A decisão foi tomada por causa da "deterioração na segurança e da forma negativa e brutal com que (as autoridades) têm lidado com os manifestantes, matando dois deles", afirmou.

Segundo a fonte, Fadel Salman Matrouk foi morto esta terça-feira em frente a um hospital, onde amigos e parentes estavam reunidos para o funeral de Msheymah Ali, falecido em decorrência dos ferimentos depois que a polícia dispersou, na segunda-feira, um protesto em uma cidade ao leste de Manama.

Marzooq se referiu aos dois homens como "mártires".

O ministério do Interior informou que "algumas das pessoas que participavam do funeral na terça-feira entraram em confronto com forças de uma patrulha de segurança", o que levou à morte de Matrouk.

"Uma investigação está em andamento para determinar as circunstâncias em que se deu o caso", acrescentou.

O ministério também reportou a morte de um manifestante na noite de segunda-feira, "vítima de ferimentos" e abriu um inquérito para investigar se a polícia recorreu ao "uso injustificado de armas" na dispersão do protesto na cidade de Diya.

Em função da situação, o rei do Bahrein, xeque Hamad ben Issa Al Khalifa, lamentou, em um discurso, a morte dos dois manifestantes xiitas e anunciou a formação de uma comissão de investigação ministerial.

As notícias sobre as duas mortes levaram os ativistas, que publicaram as fotos dos dois homens no site de relacionamentos Facebook, a pedir um comparecimento maciço aos funerais e para intensificar os protestos antigovernamentais.

Testemunhas disseram à AFP que protestos foram celebrados na segunda-feira em uma série de cidades de maioria xiita a oeste, leste e norte da capital, bem como no histórico bairro de Balad al-Qadim, no centro de Manama.

A participação nos protestos variou de algumas dezenas a centenas de pessoas, afirmaram.

"Não houve detenções durante os protestos, mas em alguns casos a polícia entrou em confronto com os manifestantes", disse um policial à AFP.

Forças de segurança foram mobilizadas ao longo das principais estradas de Manama na tentativa de reprimir as passeatas convocadas pela internet, em iniciativa similar às que vêm sendo vistas no mundo árabe.

A página do Facebook convocando o levante de 14 de fevereiro, inspirada nas manifestações que depuseram os regimes da Tunísia e do Egito, recebeu 22.000 menções ''curtiu'' esta terça-feira.

Uma mensagem postada na página diz: "esta é a sua chance de abrir o caminho para reformas políticas e sociais em linha com as mudanças em andamento no Oriente Médio".

Assim como em outros países árabes, os bareinitas têm usado a internet para fazer demandas sociais ao governo, como a criação de postos de trabalho para um número crescente de jovens desempregados e aumento de salários.

"Os bareinitas não são menos corajosos do que os outros povos", disse Marzooq, que acusou as forças de segurança de matar "deliberadamente" os dois manifestantes.

O bloco de oposição xiita apoia as manifestações, "mas não as convocará porque queremos que o mundo veja que aqueles que estão fazendo a mudança são os jovens bareinitas" e não os partidos políticos, acrescentou.

Vinte e cinco ativistas xiitas, acusados de terrorismo, estão em julgamento no minúsculo país do Golfo, governado pela família sunita Al-Khalifa, do rei Hamad, que exerce um estrito controle sobre o primeiro-ministro e ministérios chave.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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