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Erdogan defende polícia: "todos os países usam gás lacrimonêgeo"

Premiê turco disse que o "complô" contra o governo foi derrotado graças à mobilização dos seus partidários; ontem, milhares foram às ruas apoiá-lo

18 jun 2013
09h22
atualizado às 09h59
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O "complô" contra o governo turco planejado pelos manifestantes que ocuparam as ruas durante duas semanas foi derrotado graças à mobilização de seus partidários, afirmou o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. O premiê também voltou a defender a ação da polícia e acusou os participantes dos protestos de ter disparado com armas de fogo contra agentes.

Erdogan fala no Parlamento turco: "complô derrotado"
Erdogan fala no Parlamento turco: "complô derrotado"
Foto: AP

"Acusam a polícia de violência. Por quê? Usa gás lacrimogêneo. Pode fazer isso. Todos os países fazem isso. São os manifestantes que usaram a violência. Dois policiais levaram tiros", criticou o chefe de governo no Parlamento turco, sem dar mais detalhes. "O povo provocou o fracasso desta intriga, organizada por traidores e cúmplices no exterior", disse Erdogan a deputados.

A Turquia está sendo sacudida há quase três semanas por uma onda de protestos contra o governo islamita moderado de Erdogan e seu partido de Justiça e Desenvolvimento AKP, com centenas de feridos e detidos desde o fim de maio. Ontem, milhares de pessoas saíram às ruas para demonstrar apoio ao governo. "O povo e o governo desbarataram o complô", disse Erdogan, para quem os atos de apoio ao governo eram a "verdadeira imagem" da Turquia.

O líder do principal partido da oposição, Kemal Kilicdaroglu, "fez um apelo à polícia para não cumprir ordens, (como), por assim dizer, um líder de uma organização terrorista", denunciou Erdogan. Além disso, assegurou que as "organizações ilegais" que impulsionam estes protestos estão levando sua luta às escolas. "Alguns professores e diretores obrigam as crianças a sair às ruas. Nós demos livros de graça, nós melhoramos o padrão nas escolas", manifestou Erdogan.

Conspiração estrangeira
"Vamos fortalecer mais a polícia. Vamos melhorar sua força de intervenção para esses eventos. Vamos investigar tudo isso e vamos averiguar quem está por trás disso", acrescentou. Mais uma vez, Erdogan acusou os veículos de imprensa de comunicação internacionais, explicitamente a emissora britânica BBC e a americana CNN, de estar conspirando contra a Turquia.

"Viram o homem sozinho na praça Taksim mas não viram os milhões (reunidos nas marchas do AKP). Mas seguiremos mostrando essas pessoas. Sexta-feira em Kayseri, no sábado em Samsun e no domingo em Erzurum repetiremos os comícios", anunciou o primeiro-ministro turco.

Segundo Erdogan, esses protestos uniram os que não costumam andar juntos "como fascistas e comunistas, ou aqueles que bebem álcool e aqueles que vão à mesquita". "Esses demonstram que são dirigidos pelo mesmo centro. A máscara caiu. O jogo foi derrotado. O povo e seu partido, o AKP, derrotaram esse jogo", concluiu o primeiro-ministro.

Na próxima sexta-feira estão programados três grandes atos em cidades turcas para defender o governo.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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