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Presidente iemenita demite governadores de cinco províncias

1 mar 2011
12h57
atualizado às 15h52

O presidente iemenita, Ali Saleh, destituiu nesta terça-feira cinco governadores de diferentes províncias, em meio aos intensos protestos que marcam o denominado "Dia da Ira" no país. Os governadores afetados por esta remodelação são os das províncias de Áden, Lahech e Abien, no sul; Hadramut, no leste e Al Jodeida, no oeste, informou a agência oficial de notícias Saba.

info infográfico distúrbios mundo árabe
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Foto: AFP

A maioria destas províncias foi palco de fortes protestos contra o regime de Saleh e, em Áden, várias pessoas morreram em enfrentamentos entre a Polícia e os manifestantes. Na segunda-feira, por ocasião do "Dia da Ira", milhares de pessoas se manifestaram nas cidades de Lahech e Hadramut, capitais das províncias de mesmo nome. Os governadores de Áden, Adnan al Yafari; Al Jodeida, Ahmed al Jabali, e Hadramut, Salen al Jambasi, foram designados membros do Conselho Consultivo, a câmara alta do Parlamento.

Por sua parte, o dirigente de Lahech, Mohsen al Naqib, foi nomeado vice-ministro de Indústria e Comércio, e o de Abien vice-ministro de Agricultura, segundo a Saba. Os cinco eram membros do governista Congresso Geral do Povo (GPC) tinham sido escolhidos nas eleições provinciais de maio de 2008.

Até o momento, não se sabe se o presidente vai designar novos governadores e os motivos destas mudanças, embora fontes opositoras as atribuam à pressão dos protestos. Por outro lado, a Saba anunciou que Saleh presidiu nesta terça-feira uma reunião do governo na qual decidiu adiar a formação de um Executivo de união nacional até que se chegue a um acordo com os partidos opositores.

Na segunda-feira, a oposição iemenita rejeitou a oferta de Saleh de participar de um governo de união nacional e disse que manterá os protestos, que eclodiram em 27 de janeiro, influenciados pelas revoltas na Tunísia e no Egito.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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