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Premiê de Israel acusa mundo de se calar perante o Hamas

10 dez 2012
19h09
atualizado às 19h32

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defendeu a polêmica construção na zona E1 da Cisjordânia, condenada nesta segunda-feira pela União Europeia (UE), e acusou o mundo de utilizar dois pesos e duas medidas ao criticar os assentamentos judaicos enquanto fica não se manifesta perante as chamadas do Hamas de destruir Israel.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, gesticula durante entrevista coletiva à imprensa estrangeira em Jerusalém
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, gesticula durante entrevista coletiva à imprensa estrangeira em Jerusalém
Foto: AP

Em seu encontro anual com a imprensa estrangeira credenciada em Israel, Netanyahu perguntou "onde estão as resoluções da ONU quando o líder do Hamas fala abertamente em destruir Israel", em referência às declarações de Khaled Meshaal, nas quais defendeu "libertar toda Palestina" desde o Rio Jordão até o Mediterrâneo. "Não podemos aceitar que, enquanto os judeus constroem casas, o mundo seja contra, e quando o Hamas chama à destruição de Israel, todo mundo se cala", disse o primeiro-ministro em referência à condenação da comunidade internacional aos recentes anúncios de construção de novas colônias israelenses.

Perante esse cenário, o chefe do Executivo afirmou que Israel "continuará defendendo sua segurança e seus interesses" e reafirmou seus planos de construir na polêmica área E1, entre o grande assentamento judaico de Mah'ale Adumin e Jerusalém Oriental, no qual a UE se opôs "firmemente" e que também recebeu condenação dos Estados Unidos. Segundo Netanyahu, todos os governos israelenses trataram de construir nessa área e "é algo aceito por todos, inclusive pelos próprios palestinos", porque essas zonas "ficarão como parte de Israel em qualquer acordo final de paz". Neste sentido, afirmou que se trata de uma "política de continuidade" com relação aos executivos anteriores e negou que a construção nessas zonas impeça a viabilidade de um futuro Estado palestino.

O primeiro-ministro reafirmou que a resolução da ONU que aprovou o reconhecimento da Palestina como Estado observador não-membro "ignora a segurança de Israel", ao mesmo tempo que acusou os palestinos de terem "evitado" negociar a paz nos últimos anos. Segundo sua opinião, os palestinos têm evitado o diálogo com Israel "colocando condições anos após anos" e a iniciativa da ONU é "o passo seguinte para evitar a negociação". "Lamento que tenham desperdiçado os últimos quatro anos e espero que não desperdicem os próximos", disse.

Com relação à questão iraniana, Netanyahu assegurou que, em seus últimos quatro anos de governo, "aumentou a consciência geral de que o Irã é uma ameaça que o mundo não pode permitir". "O Irã está mais perto de conseguir a bomba atômica e não há dúvidas de que este será o maior desafio para ser enfrentado no próximo ano", advertiu. O primeiro-ministro destacou que Israel tem cinco desafios de segurança pela frente: previnir um Irã nuclear, enfrentar a ameaça dos mísseis do Hamas em Gaza e do Hezbollah no sul do Líbano, a guerra na Síria, assegurar suas fronteiras e "avançar em direção a uma paz segura".

Netanyahu afirmou que a milícia xiita libanesa Hezbollah possui atualmente 6 mil foguetes e mísseis, quatro vezes mais do que tinham durante a segunda guerra do Líbano em 2006, enquanto que o Hamas tem ainda cerca de 5 mil, apesar de ter perdido metade de seu arsenal na operação israelense "Pilar Defensivo" na Faixa de Gaza, concluída em 21 de novembro. Além disso, o primeiro-ministro ressaltou que durante essa operação, o sistema defensivo antimísseis israelense "Iron Dome" (Cúpula de Ferro), "demonstrou sua efetividade" e anunciou que nos próximos anos aumentará consideravelmente o investimento de seu país neste e em outros sistemas de defesa.

O comparecimento perante a imprensa estrangeira nesta segunda-feira coincidiu com a publicação de uma enquete no jornal israelense Ha'aretz, na qual 81% dos israelenses considerou que Netanyahu será reeleito após as eleições gerais do próximo dia 22 de janeiro. Dos participantes da enquete, 64% disse que Netanyahu é a pessoa mais indicada para liderar o próximo Executivo, enquanto apenas 17% prefere a presidente do Partido Trabalhista, Shely Yajimovich.

EFE   
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