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Opositores denunciam ataques a cidade na província de Damasco

8 fev 2012
13h53
atualizado às 14h55

O Exército sírio ataca Zabadani há uma semana para esmagar a revolta nesta cidade da província de Damasco, que se tornou um foco da onda de contestação contra o regime do presidente Bashar al-Assad, indicaram militantes nesta quarta-feira.

"A cidade de Zabadani e o vale de Madaya são alvos dos ataques com metralhadoras pesadas pelo sétimo dia consecutivo", informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), acrescentando que três civis tinham sido mortos nesta quarta-feira e que dezenas estavam feridos.

Desde o início da manhã, "100 obuses atingiram as casas" de Zabadani, segundo os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que organizam a mobilização no terreno.

Muitas casas "desabaram. A população vive uma situação humanitária difícil, a energia elétrica e a água foram cortadas", nesta cidade turística, 45 km ao norte de Damasco, segundo o OSDH, que menciona "a fuga de centenas de famílias" para localidades vizinhas.

Na cidade de Kfeir Yabous, "quatro militares foram mortos e um quinto foi capturado" após um ataque de desertores, acrescentou o OSDH.

Há duas semanas, grupos do Exército Sírio Livre (ESL), formado por desertores, entraram em Zabadani antes de efetuar uma "retirada tática", segundo esta organização.

Nesta quarta-feira, pelo menos 62 pessoas foram mortas na repressão praticada pelo regime na Síria, sendo pelo menos 50 em Homs (centro), alvo de uma vasta ofensiva militar, indicou o OSDH.

A cidade de Rastan, próximo a Homs, é atacada com foguetes. As forças de ordem realizaram prisões em Mouadamiyé e em Irbine, perto de Damasco, segundo o OSDH.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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