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Oposição síria manifesta determinação de continuar lutando

19 jun 2013
18h19
atualizado em 20/6/2013 às 08h06
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A oposição síria indicou nesta quarta-feira que manterá a guerra para derrubar Bashar al-Assad na ausência de uma solução política que prevê sua saída, enquanto as tropas do regime, com o apoio do Hezbollah libanês, reforçam a pressão sobre os rebeldes nas proximidades de Damasco.

As forças governamentais tentam esmagar a rebelião nos arredores da capital com o objetivo de cortar as linhas de abastecimento dos redutos rebeldes.

Ainda na capital, o bairro de Qaboun (nordeste) estava submetido a um violento ataque nesta quarta à noite, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos(OSDH), que indicou a morte de dois civis e vários feridos.

"A situação humanitária é grave. O regime tenta testar a força dos rebeldes com o objetivo de avançar para o sul da capital", afirmou o ativista Matar Ismaïl à AFP via internet.

O OSDH informou a respeito de combates e bombardeios em Zayabiya e Babila, duas localidades rebeldes onde convivem sunitas e xiitas, localizadas perto de Sayeda Zeinab, local de culto xiita no sudeste da capital onde "os combatentes do Hezbollah estão presentes em grande número", segundo a ONG.

O Hezbollah, aliado de Damasco, afirma que combate na Síria para impedir a queda do regime de Bashar al-Assad e defender os locais sagrados xiitas.

O movimento xiita desempenhou um papel determinante na reconquista, em 5 de junho, da cidade estratégica de Qousseir, na fronteira com o Líbano, e seu líder, Hassan Nasrallah, declarou na sexta-feira que o seu movimento continuará envolvido no conflito.

Seus homens e os membros da brigada Abu al-Fadel Abbas, uma milícia pró-regime formada em sua maioria por xiitas sírios e combatentes estrangeiros xiitas, têm um papel-chave nos combates nos arredores de Damasco, segundo Ismaïl.

O Al-Manar, o canal de televisão do Hezbollah, indicou que o Exército avança em direção a Zayabiya.

Já a Coalizão opositora indicou que as forças pró-regime "estavam mobilizadas em massa (...) realizando operações em dez eixos na província de Damasco e tentavam avançar no sul da capital", onde, segundo ela, cerca de 120.000 habitantes estão "encurralados (...) e temem um novo massacre das forças (do regime)".

Os rebeldes mantêm sua retaguarda nas localidades ao sul da capital, e sua eventual derrota nesta região colocaria em risco os insurgentes entrincheirados nos bairros do sul de Damasco.

Neste contexto, o presidente americano, Barack Obama, se negou nesta quarta a explicar o formato da ajuda americana prometida aos rebeldes sírios, depois que os dirigentes americanos deram a entender que, possivelmente, haverá um acerto quanto ao fornecimento de armas ilegais.

Após mais de dois anos de um conflito que já deixou mais de 93.000 mortos e 1,6 milhão de refugiados, segundo a ONU, a oposição expressou reservas quanto a sua participação na conferência de paz Genebra 2, dando preferência à opção militar até a saída de Assad.

Esta reunião, proposta por Washington e Moscou e defendida pelo G8, tem por objetivo reunir a comunidade internacional junto a representantes da oposição e do regime em vista de uma solução política para o conflito.

Mas Moscou, aliado de Damasco, já alertou que esta conferência não deve significar a "capitulação" do regime.

"Estamos comprometidos a aceitar qualquer solução que acabe com o banho de sangue e permita concretizar as aspirações do povo sírio com a queda do regime de Assad", afirmou a oposição em um comunicado divulgado em Beirute.

Para isso, a oposição se reserva o "direito de utilizar todos os meios, incluindo a ação militar", completa o comunicado, que acusa Assad de ser "a única fonte de terrorismo na Síria".

Nas Colinas de Golã, após a saída das tropas canadenses, japonesas, croatas, e o início da retirada dos austríacos, o governo filipino indicou que manterá seus 300 capacetes azuis membros da Força de Observação de Desocupação nas Colinas de Golã (Fnuod) até o mês de agosto, depois de ter retirado 25 deles nos últimos meses.

Enquanto isso, o conflito continua a ter repercussões no vizinho Líbano, onde um imã sunita salafista ameaçou o Hezbollah com uma ação militar na região de Saida (sul) no dia seguinte a combates que deixaram um morto.

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