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Oposição síria diz que China defende interesses de Assad

18 fev 2012
13h43
atualizado às 14h31

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal órgão da oposição no exílio, afirmou neste sábado que o governo chinês prefere defender os interesses do regime do presidente da Síria, Bashar al Assad, aos do povo.

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"A China sacrificou os interesses do povo sírio e preferiu defender os do regime. Por isso não há ira somente entre os sírios, mas também nos demais povos árabes, que estão contra a política desse país e da Rússia", ressaltou à agência EFE, o responsável do CNS, Ahmed Ramadan.

Ramadan reagiu assim depois que o vice-ministro de Relações Exteriores chinês, Zhai Jun, se encontrou hoje em Damasco com Assad e expressou seu apoio às reformas, embora tenha solicitado o fim da violência.

"O vice-ministro devia ter pedido ao governo sírio a cessação imediata do assassinato do povo sírio, a retirada de suas forças das cidades, a libertação dos presos e o cumprimento do plano da Liga Árabe e da resolução contra o regime adotada pela Assembleia Geral da ONU", frisou o dirigente do CNS.

Nesse sentido, Ramadan opinou que Pequim "não exerce um papel positivo na crise síria" e segue respaldando Damasco com seu veto no Conselho de Segurança da ONU, o que impede que sejam aprovadas penas contra a repressão do regime neste organismo.

O CNS calcula que mais de 8,5 mil pessoas morreram desde o início dos protestos em março do ano passado, além dos mais de meio milhão de sírios deslocados de seus lares destruídos pelos bombardeios das forças do regime.

"Se a China é incapaz de desempenhar um papel político no conflito sírio, podia pelo menos fazê-lo no âmbito humanitário, ajudando a abrir corredores de segurança para proteger os civis e permitir a chegada de ajuda", concluiu o responsável do CNS.

Por sua parte, o coordenador da também opositora Comissão Síria de Proteção aos Civis, Haizam Rahman, pediu após uma entrevista coletiva no Cairo que se melhore a defesa e mobilização dos civis. "Pedimos ao mundo ajuda humanitária e a provisão de armas porque a etapa pacífica da revolução síria terminou. O regime impôs uma guerra genocida aberta contra os civis", disse Rahma.

Além disso, instou à comunidade internacional a proteger os civis, inclusive através de uma intervenção militar se for necessário.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

O enviado especial chinês à Síria, Zhai Jun, conversa com o presidente sírio, Bashar al-Assad, em Damasco
O enviado especial chinês à Síria, Zhai Jun, conversa com o presidente sírio, Bashar al-Assad, em Damasco
Foto: AFP
EFE   
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