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ONU e Síria não chegam a acordo sobre inspetores de armas químicas

4 abr 2013
18h28
atualizado às 18h53
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A Organização das Nações Unidas e a Síria ainda não chegaram a acordo sobre o nível de acesso que será fornecido a uma equipe de inspetores de armas químicas que vai investigar as alegações de que tais armas foram usadas recentemente no conflito sírio, de acordo com uma carta endereçada ao enviado da Síria na ONU.

A ONU disse no mês passado que iria investigar as alegações do governo sírio de que os rebeldes usaram elementos químicos em um ataque perto da cidade de Aleppo, no norte da Síria. Os países ocidentais também querem uma investigação sobre duas acusações dos rebeldes sobre o uso de tais armas por parte do governo. A oposição diz que o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, realizou três ataques químicos.

"Não há acordo sobre o acesso ainda", disse um diplomata do Conselho de Segurança da ONU à Reuters, sob condição de anonimato. "Os inspetores não serão enviados até que haja acordo sobre o acesso e outras modalidades."

Houve uma troca de cartas sobre o acesso dos investigadores entre o embaixador sírio, Bashar Ja'afari, e a chefe do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento, Angela Kane, de acordo com uma carta de Kane obtida pela Reuters nesta quinta-feira. Essa carta mostra que Ja'afari escreveu a Kane na terça-feira sugerindo alterações aos seus "parâmetros legais e logísticos" propostos para a investigação.

Ja'afari tem dito repetidamente que os inspetores só precisam de acesso limitado às áreas relacionadas com o incidente em Aleppo, local onde o governo e os rebeldes acusam-se mutuamente de terem disparado um míssil carregado com elementos químicos, que matou 26 pessoas. Diplomatas disseram que o governo Assad também quer ter voz sobre quem vai participar da equipe de inspeção.

Kane respondeu a Ja'afari dizendo que cabia "exclusivamente ao secretário-geral (Ban Ki-moon) determinar a composição da missão de investigação, que deve ter a necessária liberdade de circulação e de acesso para conduzir uma investigação completa e objetiva". Kane deixou claro para Ja'afari que, embora o foco principal da investigação seja o incidente em Aleppo, havia outros supostos ataques com armas químicas a serem considerados também. "Devemos permanecer atentos às outras alegações de que armas químicas foram usadas em outras partes do país", escreveu ela.

França e Grã-Bretanha escreveram a Ban no mês passado solicitando que qualquer investigação olhasse também para as alegações dos rebeldes sobre um ataque perto de Damasco e outro em Homs, no final de dezembro. O pedido enfureceu o embaixador russo Vitaly Churkin, que acusou França e Grã-Bretanha de tentarem "adiar e, possivelmente, inviabilizar" a investigação da ONU.

A Rússia tem criticado os pedidos ocidentais e árabes para que Assad deixe o poder e, juntamente com a China, bloqueou três resoluções do Conselho de Segurança da ONU destinadas a pressioná-lo a acabar com a violência. Moscou também tem divergido do Ocidente sobre qual lado é culpado pelos massacres e outras atrocidades na Síria.

A investigação da ONU tentará determinar se foram usadas armas químicas, e não quem as usou. Se for confirmado que armas desse tipo foram usadas, seria a primeira vez em dois anos de conflito sírio. A ONU estima que mais de 70 mil pessoas morreram no país em consequência da guerra civil.

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