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Ocidente e Rússia se enfrentam na ONU por sanções à Síria

31 jan 2012
14h57
atualizado às 15h42

O Conselho de Segurança da ONU se preparava nesta terça-feira para um embate em torno da situação na Síria, com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, liderando a pressão das potências ocidentais sobre a Rússia, para que apoie uma iniciativa para deter a violência naquele país. A oposição síria exortou a comunidade internacional a agir contra os "massacres" e convocou um dia de luto e ira, depois de uma nova onda de violência, com epicentro na região de Homs que deixou nesta segunda-feira quase 100 mortos.

Hillary Clinton, a direção da Liga Árabe e os ministros das Relações Exteriores britânico e francês confirmaram presença na reunião do Conselho de Segurança, prevista para as 15h locais (20h GMT) em Nova York, na qual vão tentar aprovar uma resolução contra o regime sírio. Mas a Rússia, aliada de Damasco e com direito de veto nesse organismo da ONU, reiterou a oposição a um projeto pelo qual o presidente sírio, Bashar al-Assad, aceitaria entregar o poder a seu vice-presidente para que abrisse um diálogo com a oposição.

Segundo o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Guennadi Gatilov, a iniciativa poderia "desobstruir o caminho para uma guerra civil". O regime de Assad, que se vangloria de contar com o apoio do povo para dominar a revolta popular, aumentou a repressão, para tentar asfixiar rapidamente os opositores, numa aparente tentativa de aproveitar o apoio da Rússia e as divisões nas Nações Unidas.

Em viagem ao Oriente Médio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou que a violência na Síria é uma "ameaça à paz" e disse esperar que a reunião de Nova York dê "logo frutos". Hillary Clinton afirmou que "o Conselho de Segurança deve agir e deixar claro ao regime sírio que a comunidade internacional percebe suas ações como ameaça à paz e à segurança".

"É tempo de todos os membros do Conselho de Segurança da ONU assumirem suas responsabilidades em vez de proteger os que têm sangue em suas mãos", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, citando informes segundo os quais mais de 400 crianças morreram na Síria, vítimas da repressão. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores sírio denunciou que "os agressivos comunicados americanos e ocidentais contra a Síria aumentavam de maneira escandalosa", culpando novamente "grupos terroristas armados" pela violência.

Rússia e China - que acusaram os países ocidentais de abusar dos mandatos da ONU em sua intervenção na Líbia - vetaram em outubro um rascunho de resolução de condenação ao governo sírio. A Rússia, que possui vínculos de longa data com a Síria e é o mais importante fornecedor de armas ao regime de Assad, quer incentivar os "contatos informais", em Moscou, entre o regime de Assad e a oposição.

Grupos de direitos humanos disseram que 5.400 pessoas já morreram na Síria vítimas da tentativa de Assad de esmagar a última das rebeliões do mundo árabe, depois da queda dos regimes autoritários de Egito, Tunísia e Líbia.

Os novos episódios de violência, que incluíram a morte de 55 civis e 41 militares e dissidentes, segundo o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH, com sede em Londres), transformaram a segunda-feira num dos dias mais sangrentos desde março, quando começaram as manifestações contra o regime de Damasco.

Ante "os selvagens massacres de civis, entre eles mulheres e crianças", o mais importante grupo da oposição, o Conselho Nacional Sírio (CNS), disse que coordenará sua ação com os militantes que lideram o levante para realizar "uma jornada de luto e de ira" no país.

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