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Observadores da ONU sequestrados na Síria continuam detidos

9 mar 2013
08h43

Os 21 observadores filipinos da ONU sequestrados por rebeldes sírios permaneciam detidos na manhã deste sábado, depois que o prazo para a sua evacuação de um povoado nas Colinas de Golã expirou, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"Não há nada novo, ainda não foram libertados, embora os rebeldes garantam que estão prontos para entregá-los a qualquer momento", indicou Rami Abdel Rahamne, presidente do OSDH, uma ONG com sede na Grã-Bretanha que se apoia em uma ampla rede de militantes e médicos no local e que está em contato com os sequestradores.

Na sexta-feira, citando os rebeldes, Rahmane informou sobre a conclusão de um acordo entre o regime e a ONU para um fim dos bombardeios que permitisse que uma delegação da Cruz Vermelha, acompanhada por uma equipe da ONU, retirasse os observadores do povoado de Jamla entre as 10h00 e as 12h00 (05 e 07h00 de Brasília).

Este acordo foi alcançado depois que a primeira tentativa de tirar os observadores de Jamla fracassou por um bombardeio do exército em um setor próximo que obrigou o comboio da ONU que deveria retirá-los a recuar.

No início da manhã, a situação era de tranquilidade em Jamla, mas depois "explodiram combates entre rebeldes e sldados, quando os insurgentes atacaram uma unidade militar em Aabdine, 3 km ao sul de Jamla", indicou Abdel Rahmane à AFP.

Entre os grupos rebeldes autores deste ataque encontra-se a "Brigada dos Mártires de Yarmuk", o grupo que sequestrou os observadores na quarta-feira, disse.

O responsável pelas operações para a manutenção de paz da ONU, Hervé Ladsous, disse na sexta-feira que espera "um cessar-fogo de várias horas" para permitir a libertação dos observadores.

O grupo rebelde da Brigada dos Mártires de Yarmuk sequestrou na quarta-feira nas Colinas de Golã 21 membros da Força das Nações Unidas de Observação da Separação (FNUOD), na primeira ação deste tipo desde o início do conflito na Síria, há quase dois anos.

A FNUOD está encarregada desde 1974 de fazer respeitar o cessar-fogo entre Israel e Síria nas Colinas de Golã, ocupadas em grande parte pelo Estado hebreu. A região de Jamla está situada a 1,5 km da linha de cessar-fogo.

Em Deraa, a cidade do sul do país a partir da qual teve início a revolta contra o regime, em março de 2011, os combates entre os rebeldes e as forças governamentais causavam estragos, segundo o OSDH.

Na província de Damasco, onde os rebeldes se reúnem, eram ouvidas violentas explosões.

Além disso, as forças do regime bombardeavam com artilharia pesada Deir Ezzor, uma cidade do nordeste do país controlada, em sua maior parte, pelos rebeldes.

Em quase dois anos, o conflito, provocado por um protesto pacífico que se militarizou pela repressão, deixou mais de 70.000 mortos, um milhão de refugiados e milhares de deslocados, segundo a ONU.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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