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Novas manifestações reúnem milhares de pessoas no Bahrein

26 fev 2011
10h12
atualizado às 11h22

Milhares de manifestantes protestaram em Manama neste sábado para exigir a queda do regime sunita, pressionando o governo um dia depois de mais de 10 mil pessoas terem ido às ruas.

Manifestantes contrários ao governo estão acampados em tendas na Praça Pérola em Manama
Manifestantes contrários ao governo estão acampados em tendas na Praça Pérola em Manama
Foto: Reuters

"Saia Hamad, saia Hamad", gritavam os manifestantes reunidos da Praça da Pérola, epicentro dos protestos iniciados em 14 de fevereiro.

"As pessoas querem a queda do regime", entoavam, enquanto realizavam uma passeata na avenida da prefeitura, bloqueando o trânsito.

A Praça da Pérola, em Manama, foi transformada em centro de reunião de manifestantes, que mantêm vigília diária em centenas de tendas.

Grupos oposicionistas desistiram de pedir a retirada do regime, exigindo agora mais reformas, incluindo um primeiro-ministro eleito e a criação de uma monarquia constitucional efetiva.

Sete pessoas foram mortas na semana passada em ações da polícia contra manifestantes que pedem a saída da dinastia sunita Al-Khalifa, que domina há 200 anos o reino de maioria xiita.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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