3 eventos ao vivo

Noam Shalit faz apelo ao povo palestino às vésperas do Ramadã

3 ago 2010
05h49
atualizado às 10h37
Gabriel Toueg
Direto de Jerusalém Oriental

Noam Shalit, o pai do soldado Gilad Shalit, capturado há quatro anos pelo grupo palestino Hamas, fez um apelo nesta terça-feira ao povo palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, para que os cidadãos pressionem a liderança local exatamente como ele e a família fazem em Israel.

Aviva (dir.) e Noam Shalit, pais de Gilad Shalit, lembraram que o filho está em poder do Hamas há 1,5 mil dias
Aviva (dir.) e Noam Shalit, pais de Gilad Shalit, lembraram que o filho está em poder do Hamas há 1,5 mil dias
Foto: AFP

O apelo foi feito em um hotel na parte oriental de Jerusalém, onde há maioria de população árabe na cidade. Em uma coletiva de imprensa, Noam Shalit leu uma carta em hebraico, que foi traduzida ao árabe, e lembrou que o filho está em poder do Hamas há 1,5 mil dias exatamente, e pediu que a troca de prisioneiros não seja adiada.

Na carta, dirigida "ao povo palestino, aos muçulmanos, a nossos vizinhos e às famílias dos prisioneiros palestinos", Shalit diz que reza a Deus por ajuda "a vocês e a nós (palestinos e israelenses) para que possamos sair da angústia em que nos encontramos". Ele pede ainda que "abramos uma página nova em nossas vidas, escrita com letras de paz e tranquilidade".

Noam Shalit disse que apoiou e segue apoiando a iniciativa do mediador alemão de libertar mil prisioneiros palestinos, "incluindo os 450 que o Hamas exige para devolver nosso filho Gilad". O governo israelense tem recusado negociar a libertação de prisioneiros envolvidos em ataques contra civis, além de impor outras condições. Para o pai do soldado, contudo, "o caminho das concessões é o melhor dos caminhos".

Respondendo à pergunta de um jornalista sobre a alegação de que a libertação de prisioneiros palestinos em troca de seu filho poderia colocar centenas de civis israelenses em risco, Noam disse que é responsabilidade do governo cuidar para que o terrorismo não retorne. "Não somos responsáveis por isso, houve bastante tempo para negociar outras soluções". Ele completou dizendo que não lida com temas do Oriente Médio e que é "apenas o pai de um soldado capturado".

Ao lado de Noam o tempo todo, a mãe de Gilad Shalit, Aviva, não fez nenhum comentário. Usando a camiseta da campanha pela libertação do filho, com os dizeres "Gilad ainda está vivo?", ela tinha um olhar triste e abatido. Desde que o filho foi capturado, em junho de 2006, Aviva tem recusado conversar com a imprensa.

Mas, no último domingo, ela segurava um cartaz com os dizeres "Sara, eu também quero comemorar o aniversário do meu filho", em referência às comemorações dos 19 anos do primogênito do premiê Binyamin Netanyahu e de Sara, sua mulher. Uma festa foi realizada na residência oficial do casal, também em Jerusalém. Esta terça-feira marca o aniversário de 24 anos do soldado no calendário judaico.

Gilad e Aviva terminaram há pouco mais de três semanas uma caminhada de 12 dias desde a cidade onde vivem, no norte do país, até Jerusalém. Apesar do forte calor do verão no país, milhares de israelenses participaram da caminhada, que passou pelas principais cidades e pediu ao governo para fechar um acordo com o Hamas.

Desde então, o casal Shalit passa os dias em uma tenda montada ao lado da residência oficial de Netanyau em Jerusalém. No local, além de simpatizantes, há uma contagem dos dias em que o soldado está capturado.

De acordo com Eran Yoels, do escritório de gerenciamento de crises que trabalha com os Shalit, a leitura da carta faz parte de ações de relações públicas realizadas pela empresa para a família. Yoels explicou ainda que o escritório trabalha nos últimos dois anos de forma voluntária e já realizou ações como protestos em prisões israelenses, na fronteira com a Faixa de Gaza, e a caminhada entre Mitzpeh Hila, onde a família vive, e Jerusalém.

No último sábado o pai de Gilad Shalit acusou Netanyahu de "abusar" do filho. Em um protesto em Rishon Letzion, na região central do país, ao sul de Tel Aviv, Noam afirmou: "um soldado israelense em cativeiro não é um imóvel cujo preço é determinado de acordo com oferta e demanda".

O Hamas exige a libertação de mais de mil prisioneiros palestinos em troca do soldado Shalit, capturado por membros do Hamas em um ataque realizado a partir da Faixa de Gaza. Noam se referiu à proposta do mediador alemão, feita no início do ano depois de diversas rodadas de negociações.

Na próxima semana os muçulmanos dão início às comemorações do Ramadã, a data mais importante do calendário islâmico. Durante um mês, o nono do calendário religioso, muçulmanos jejuam e são proibidos de ter relações sexuais entre o amanhecer e o pôr do sol.

Na tradição islâmica, durante o mês de Ramadã os primeiros versos do Corão foram revelados pelo profeta Maomé. Na carta lida por Noam Shalit, ele menciona que "de acordo com a religião muçulmana, Deus revelou o Corão para que o povo diferenciasse entre o bem e o mal".

Fonte: Especial para Terra

compartilhe

publicidade
publicidade