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02 de novembro de 2012 • 10h15

No "velho oeste" americano, armas são estilo de vida

Ryan Allen possui uma loja de armas; ele diz que checa os antecedentes criminais dos compradores
Foto: Carla Ruas / Especial para Terra
 
Carla Ruas
Direto de Cheyenne

O investidor JJ Walden, 48 anos, entra na loja de armas Frontier, na capital Cheyenne, em busca de munição para seu revolver 9mm. Requisitado, ele levanta a camisa e mostra a arma, que carrega por onde anda, enquanto conta que tem outras 14 em casa. Andar armado faz parte do seu estilo de vida e de grande parte da população em Wyoming, Estado republicano que vai contra o esforço dos democratas por maior controle de armas no país.

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JJ conta que aos 10 anos de idade já saía pela fazenda da família para caçar lebres portando uma pistola calibre 22. Segundo ele, esta é a história de muitos meninos em Wyoming, Estado que lidera o ranking entre os mais armados dos Estados Unidos, de acordo com o Sistema de Vigilância de Risco Comportamental (BRFSS). "Armas fazem parte das nossas vidas e muito cedo a gente aprende como respeitar e qual o seu propósito", diz.

Numa região que se orgulha de ter feito parte do velho oeste, ele parece um cowboy moderno que trocou o cavalo por uma caminhonete quatro portas. A comparação não ofende, já que o período marcou tanto Wyoming que os moradores celebram o gênero anualmente com o festival "Dias de Fronteira" desde 1897. Entre os eventos, que atraem milhares de visitantes, está o maior rodeio a céu aberto dos Estados Unidos.

O dono da loja Frontier - cujo nome reforça este orgulho - lembra, no entanto, que a imagem do cowboy moderno contribui para o argumento contra o uso de armas no Estado. "Portadores de armas de fogo são vistos como irresponsáveis e pouco educados", diz Ryan Allen, 38 anos. O que ele garante não ser verdade, ao apontar que tem curso superior em Justiça Criminal e que sua sócia e esposa, Lacy Allen, 31 anos, fez parte do time olímpico de tiro com espingardas.

O estereótipo do cowboy é usado pelos Estados democratas nas costas leste e oeste para pressionar por leis mais restritas para o uso de armas no país. Na Califórnia, armas semiautomáticas (como os rifles) são proibidas, e para comprar uma pistola é necessário passar um teste escrito. E, mesmo que o proprietário seja aprovado, ele dificilmente conseguirá permissão para carregá-la pelas ruas.

Em Wyoming, Estado republicano, a legislação tem ido na contramão desta tendência. O governo acaba de implementar uma lei, assinada em Julho de 2011, que permite aos cidadãos carregarem armas em público sem a necessidade de qualquer licença. Ao comprar armas de fogo ¿ que podem ser de qualquer porte - não é necessário pedir autorização ou fazer registro.

Isso significa que é muito fácil comprar uma arma na loja Frontier. Mas Ryan garante que verifica os antecedentes criminais de cada cliente - parte de uma lei federal - para evitar vender armas para loucos. "As armas não são do mal. É um objeto inanimado. São as pessoas atrás delas que fazem deste objeto uma coisa do bem ou mal", explica.

No seu estoque estão pistolas, espingardas, fuzis e revólveres com preços entre US$ 300 e US$ 3 mil. Os clientes compram de tudo - desde armas na cor rosa para presentear mulheres até escopetas para competições no estilo 'velho oeste'. "Na época de caça, 60% das compras são rifles e às vezes uma arma menor para atirar num gato grande que chegue perto. Os outros 40% são armas para defesa pessoal" diz.

Republicanos defendem direito à proteção
Estados democratas têm aprovado leis cada vez mais restritas para compra de armas de fogo. Barack Obama fala pouco sobre o assunto, mas é visto como uma ameaça pela maioria dos seus defensores. Mitt Romney, por outro lado, é membro da Associação Nacional de Rifles (NRA) e vem recebendo generosas doações deste grupo para a sua campanha presidencial.

Segundo Anthony Bouchard, presidente da Associação de Portadores de Armas de Wyoming, o presidente Barack Obama tem uma plataforma clara contra as armas. "O presidente já participou de organizações contra armas e votou contra o direito de possuir armas de fogo quando era senador de Chicago", diz. Bouchard, que é republicano, concorreu neste ano para o Senado em Wyoming para manter os direitos conquistados no Estado.

O problema da posição democrata, segundo ele, é colocar em risco a proteção pessoal dos cidadãos. "Chicago, por exemplo, tem uma das legislações mais restritivas, e ao mesmo tempo é um Estado com um dos níveis mais altos de criminalidade no país", raciocina. Ele acredita que, onde os criminosos temem cidadãos armados, a cidade está mais segura.

Especial para Terra