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Morte em concurso de comida gera temor entre médicos nos EUA

8 dez 2012
10h10
atualizado às 10h52

A recente morte de um jovem que participava de um concurso de comer baratas na Flórida reacendeu o debate sobre uma tendência, os concursos de comida, que continuam na ordem do dia nos Estados Unidos, apesar dos repetidos alertas por parte de médicos e nutricionistas.

Edward Archbold come insetos gigantes em um concurso de uma loja de répteis na Flórida, nos EUA
Edward Archbold come insetos gigantes em um concurso de uma loja de répteis na Flórida, nos EUA
Foto: AP

Na semana passada foram divulgados os resultados da autópsia de Edward Archbold, o homem de 32 anos que morreu no último mês de outubro instantes após ganhar esse bizarro concurso. Nela se determina que o jovem não morreu por intoxicação ao ingerir dúzias de baratas gigantes, como se cogitou em um primeiro momento, mas que Archbold "engasgou até a morte" por causa da enorme quantidade de insetos que ingeriu.

"Na China também comem insetos deste tipo, mas, claro, não o fazem em quantidades tão exageradas como esta", afirmou à agência EFE a médica Kathy B. Glazer, nutricionista no Glazer Nutrition Center de Washington. "Para ser honesta, não sei o que pode levar alguém a se arriscar e participar deste tipo de concurso. Tratei muitos glutões que agora têm problemas de obesidade e diabetes", contou Kathy.

Embora a médica garanta que o caso de Archbold é isolado, também alertou para as "sérias consequências em longo prazo" que estes hábitos podem provocar. Os concursos de comida deixaram de ser algo exclusivo das feiras populares e explodiram como fenômeno de massa durante a década de 1990, especialmente no Japão e nos EUA.

No país americano, a prática deste "esporte" - quem pratica se considera um atleta - segue completamente viva e em Nova York tem seu escritório a sede da Federação Internacional de Concursos de Comer (IFOCE, na sigla em inglês), encarregada de supervisionar e divulgar os certames deste tipo.

O atual campeão mundial dos concursos de comida é Joey Chestnut, um jovem de 27 anos de San José (Califórnia) capaz de comer 68 cachorros quentes em dez minutos e engolir sete litros e meio de chili em seis minutos e que, surpreendentemente para muitos, "só" pesa 104 kg.

Embora possa parecer paradoxal, entre os cinco primeiros classificados do ranking mundial, apenas Chestnut ultrapassa os 100 kg, algo que, segundo o médico e professor da Universidade George Washington, Marc S. Levine, tem uma explicação física.

O "segredo" destes competidores, explicou o professor, está no fato de que desenvolveram uma capacidade "para que seu estômago possa expandir-se e dilatar-se de maneira surpreendente, o que lhes permite ingerir enormes quantidades de comida em muito pouco tempo".

No entanto, um excesso de gordura corporal constitui um impedimento para que esta dilatação possa acontecer, e por isso os participantes evitam a todo custo aumentar de peso e, fora dos concursos, "controlam muito bem o que comem".

Mesmo assim, Levine lembrou que isto "não é garantia de nada", já que, com o tempo - a maioria de participantes é jovem -, perderão esta "motivação" para não engordar e, então, todos estes anos de "competição" cobrarão seu preço.

Devido à capacidade de dilatar o estômago, o participante de concursos de comer "jamais voltará a sentir a sensação de saciedade ou enjoo com a comida", indicou o médico, e por isso apresenta um "risco substancial de desenvolver obesidade mórbida".

Comer em abundância e tão rápido é uma atividade "potencialmente autodestrutiva que, com o tempo, pode causar obesidade mórbida, náuseas e vômitos crônicos e, inclusive, a necessidade imperiosa de submeter-se a uma operação de estômago", concluiu Levine.

Igualmente contundente se mostrou a nutricionista Kathy, que acrescentou que, apesar de "nunca ser uma boa ideia abarrotar-se de comida", se fizer isto com produtos que contêm alta concentração de gorduras - como acostuma ser o caso nos concursos de comida -, "o resultado pode ser nefasto".

EFE   

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