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Minitro russo critica acusação "sem provas" do uso de armas químicas na Síria

26 ago 2013
10h49
atualizado às 11h03

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, criticou nesta segunda-feira os países do Ocidente porque, sem apresentar provas do suposto ataque com armas químicas na Síria, acusam o regime do presidente sírio, Bashar al Assad, de ter "ultrapassado a linha vermelha".

Em entrevista coletiva, o ministro ressaltou que Washington, Londres e Paris falam oficialmente na existência de "provas irrefutáveis" do uso de armas químicas pelas autoridades sírias.

"Até agora não puderam apresentar essas provas, mas afirmam que a 'linha vermelha' foi ultrapassada e que não se pode perder mais tempo", disse Lavrov.

O chefe da diplomacia russa advertiu que em torno da Síria está sendo gerada "histeria, confronto em relação às informações sobre o uso de armas químicas por parte das autoridades sírias".

"Com o pretexto, cresce a acumulação de veículos militares na região, e são ouvidas chamadas e inclusive ameaças de uso da força militar contra o regime de Assad", ressaltou.

Lavrov afirmou que as acusações contra Damasco contradizem os recentes acordos feitos na cúpula de chefes de Estado do G8 em Lough Erne (Irlanda do Norte).

"Na declaração da cúpula está escrito com todas as letras que qualquer informação sobre o uso de armas químicas na Síria deve ser investigada da forma mais rigorosa e profissional" e os resultados dessa investigação devem ser levados ao Conselho de Segurança da ONU.

O ministro das Relações Exteriores russo também citou a conversa que teve por telefone ontem à noite com seu colega americano, John Kerry, em que lhe perguntou sobre a estratégia dos Estados Unidos e seus aliados frente à Síria.

"Qual é seu plano? Como pretende fazer para que sua já declarada ou quase declarada, mas ainda não autorizada (pelo Conselho de Segurança da ONU) ação contra a Síria resolva os problemas da região e não os multiplique até levar o país a uma catástrofe", teria perguntado a Kerry.

Lavrov acrescentou que o secretário de Estado americano se limitou a "fazer um apelo à Rússia e à China a se unirem aos esforços para erradicar as armas químicas e impedir que chegassem às mãos erradas".

EFE   
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