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Manifestantes da oposição retomam protestos no Bahrein

22 fev 2011
17h51
atualizado às 18h52

Dezenas de milhares de manifestantes xiitas voltaram às ruas de Manama nesta terça-feira para exigir a deposição do governo sunita, no maior evento da atual onda de protestos, iniciada na semana passada.

Dezenas de milhares de xiitas protestam no centro de Manama pedindo a queda do governo
Dezenas de milhares de xiitas protestam no centro de Manama pedindo a queda do governo
Foto: AFP

Sob comando dos grupos oposicionistas Wefaq e Waad, esse foi o primeiro protesto organizado, depois das manifestações espontâneas convocadas por jovens em redes sociais. Novamente os manifestantes se aglomeraram na praça Pérola, queixando-se de discriminações da monarquia sunita contra a maioria xiita da população.

"Alguns querem a saída da família (real sunita), mas a maioria (deseja) só a (saída) do primeiro-ministro", disse o manifestante Abbas al Fardan. "Queremos um novo governo, as pessoas precisam governar o país."

Pelo atual sistema, os barenitas elegem um Parlamento que tem poucos poderes, e as principais decisões ficam nas mãos de uma elite que gira em torno da família Al Khalifa.

Essa dinastia governa o Barein há 200 anos, e domina um gabinete comandado pelo tio do atual monarca, que é o primeiro-ministro desde o fim do colonialismo britânico, em 1971.

Também nesta terça-feira, Hassan Mushaimaa, líder do movimento oposicionista Haq, decidiu adiar sua volta ao país. Mushaimaa, que vive em Londres, havia anunciado que chegaria nesta terça-feira à noite ao Barein, a fim de testar a disposição do governo para dialogar com a oposição.

Ele vive em Londres e foi uma das 25 pessoas julgadas no ano passado por causa de uma suposta tentativa de golpe. Mas o rei Hamad bin Isa indicou na segunda-feira que o processo será arquivado e que presos políticos seriam soltos.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muamar Kadafi, a população entra em sangrento confronto com as forças de segurança; em meio à onda de violência, um filho de Kadafifoi à TV estatal do país para tirar a legitimidade dos protestos, acusando um "complô" para dividir o país e suas riquezas. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

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