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Manifestação em Jerusalém oriental reúne árabes e judeus

29 jan 2010
22h20
atualizado às 23h34
Gabriel Toueg
Direto de Sheikh Jerakh

Mais de 300 pessoas, entre árabes e judeus, estiveram na tarde desta sexta-feira em Sheikh Jerakh, bairro árabe na parte oriental de Jerusalém, para uma manifestação contra a ocupação de casas por colonos judeus. A manifestação, que se transformou em um evento semanal no local, foi a primeira desde que a Corte de Justiça de Jerusalém declarou, no fim da noite da última quinta-feira, a legalidade dos protestos.

Manifestantes árabes e judeus em Sheikh Jerakh nesta sexta
Manifestantes árabes e judeus em Sheikh Jerakh nesta sexta
Foto: Gabriel Toueg / Especial para Terra

Nos últimos anos, grupos de colonos judeus têm reclamado a posse de residências em algumas zonas do bairro árabe, com base em documentos anteriores à criação do Estado de Israel, em 1948. Há cerca de seis meses, duas famílias árabes locais, com 53 pessoas, foram despejadas de suas casas pela Justiça israelense. Em seguida, colonos judeus tomaram os edifícios, o que atraiu duras críticas das Nações Unidas.

Apesar da decisão da Justiça na quinta-feira, a manifestação ocorreu sob o olhar de dezenas de policiais e soldados do Exército israelense, além de homens de uma unidade especial da polícia. Um pequeno grupo de colonos ultra-ortodoxos auto-denominados "Frente Popular Judaica" observava à distância. Não houve incidentes violentos, mas os manifestantes criticaram a ação policial em ocasiões anteriores.

Há uma semana, 18 pessoas foram presas, entre elas o diretor da Associação pelos Direitos Civis em Israel, Hagai El-Ad. A Justiça condenou a ação da Polícia e declarou ilegal até mesmo a dispersão do público, o que não ocorreu - a manifestação terminou sozinha, no início da noite. Antes do protesto, contudo, os participantes apresentavam bastante receio com relação a novas detenções.

Durante a manifestação, moradores árabes de Sheikh Jerakh distribuíram café - um gesto de cordialidade - e os participantes plantaram oliveiras no local. Em cartazes, via-se frases como "A discriminação nos põe em risco", "Jerusalém para todos nós" e "Árabes e judeus se negam a ser inimigos". Em coro, os esquerdistas exigiram a saída dos colonos judeus do bairro árabe.

Desequilíbrio
O autor israelense David Grossman, presente em Sheikh Jerakh nesta sexta-feira, criticou a opressão policial e afirmou que não há equilíbrio no tratamento dispensado a árabes e a judeus. "Existe uma certa impaciência na Polícia israelense quando se trata de ativistas de esquerda", disse. Grossman afirmou ainda que não se vê a mesma resposta em manifestações da direita no país, e acusou os colonos de "conduzir pogroms em vilas árabes".

Em discurso durante o protesto, Grossman disse que não é possível ficar em silêncio. "Colonos e direitistas, apoiados pelo governo e pela Justiça praticam abusos em relação aos palestinos de diversas formas". O filho de Grossman foi morto em combate durante a Segunda Guerra do Líbano, em 2006. Além do autor, o deputado israelense Ilan Gilon, do partido de esquerda Meretz, esteve no protesto.

Fonte: Especial para Terra
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