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05 de outubro de 2013 • 13h11 • atualizado às 14h20

Líder supremo iraniano dá apoio parcial à abertura diplomática de Rohani

 

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, apoiou neste sábado a atitude do presidente Hassan Rohani na ONU, mas criticou alguns aspectos de sua viagem a Nova York, durante a qual manteve um contato histórico com o presidente dos Estados Unidos.

Esta é a primeira reação de Khamenei depois que Rohani expressou em Nova York a vontade de chegar a um acordo com o Ocidente sobre o controverso programa nuclear do Irã, que a comunidade internacional acredita ter por objetivo o desenvolvimento de uma arma nuclear, o que Teerã nega.

"Apoiamos a iniciativa diplomática do governo e damos importância a suas atividades durante a viagem", disse Khamenei durante uma cerimônia militar.

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU no fim de setembro, Rohani tentou estabelecer uma diferença a respeito de seu antecessor, o conservador Mahmud Ahmadinejad, ao destacar que o Irã não representa uma ameaça.

Rohani, que assumiu o poder em agosto, depois da eleição em junho, prometei adotar uma postura mais construtiva nas negociações com as grandes potências sobre seu programa nuclear, buscando reduzir as pesadas sanções impostas sobre os setores petroleiro e bancário.

Mas o maior destaque da visita a Nova York foi a conversa telefônica de 15 minutos entre Rohani e o presidente americano, Barack Obama, o primeiro contato diplomático entre os dois países em mais de 30 anos.

Irã e Estados Unidos romperam relações após a Revolução Islâmica de 1979.

O aiatolá Khamenei, que tem a última palavra sobre todas as decisões políticas iranianas, incluindo a diplomacia e o processo nuclear, se mostrou crítico, no entanto, aos passos dados pelo presidente.

"Algumas coisas que aconteceram na viagem a Nova York não foram apropriadas... mas confiamos em nossas autoridades", afirmou, sem uma explicação específica.

"Somos pessimistas a respeito dos americanos e não confiamos neles. O governo americano é pouco confiável, desdenhoso e pouco razoável", disse Khamenei.

Khamenei autorizou em 17 de dezembro o governo de Rohani a demonstrar "flexibilidade" nas negociações, mostrando ao Ocidente que o Irã está preparado para alcançar um acordo sobre o programa nuclear.

Neste sábado, diante dos militares e cadetes, o líder supremo criticou o governo dos Estados Unidos por sua aliança com Israel, principal inimigo do Irã.

A administração americana "é um governo invadido pela rede sionista internacional e deve alinhar-se com o usurpador (Israel)", disse Khamenei.

Washington afirmou que os sinais de abertura de Rohani serão julgados por seus atos, não pelas palavras.

Durante seu discurso na ONU, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que seu país estava preparado para atuar sozinho para impedir que Teerã obtenha armamento nuclear.

Apesar das críticas do aiatolá Khamenei, "não podemos esquecer que sem a sua permissão a iniciativa não teria sido possível", disse o analista Saeed Leylaz.

Além da histórica conversa telefônica entre Rohani e Obama, a visita da delegação iraniana foi marcada pelo encontro entre o ministro iraniano de Assuntos Exteriores, Mohamed Javad Zarif, e o secretário de Estado americano, John Kerry.

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