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Iranianos e comunidade internacional avaliam vitória de Rohani

16 jun 2013
11h31
atualizado às 11h37
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Um dia após festejar a surpreendente eleição do clérigo reformista moderado Hassan Rohani, os iranianos avaliam neste domingo se o novo presidente poderá avançar na abertura política e melhorar a economia, enquanto a comunidade internacional pensa nas perspectivas que se abrem no Irã.

Pouco mais da metade dos eleitores que foram às urnas na sexta-feira passada deram a Rohani 18.613.329 votos, o que representa uma quarta parte dos 75 milhões de habitantes do Irã e lhe outorga um enorme influência, embora no regime teocrático da República Islâmica seu poder seja limitado.

Para governar e cumprir suas promessas de melhorar a economia, os direitos civis, a situação da mulher e a política externa, Rohani terá que contar com a aquiescência do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que tem sempre a última palavra e controla diretamente as relações exteriores e a questão nuclear.

Em qualquer caso, Rohani conta com o respaldo de dois ex-presidentes reformistas moderados, Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohamad Khatami, que já governaram com Khamenei, com o qual também tem laços desde sua colaboração na guerra contra o Iraque (1980-1988).

"Se não queremos violência, só com os reformistas podemos conseguir a mudança", disse hoje à agência EFE Nasia, uma professora universitária iraniana que considera que Rohani "pode ser um passo rumo a uma autêntica democracia sem tutela religiosa".

"Veremos o que é capaz de fazer e como se movimenta entre o aparelho do sistema, mas temos muitas esperanças postas nele", acrescentou Nasia, que, como muitos iranianos alheios ao sistema teocrático muçulmano xiita que votaram em Rohani, afirmou que "era questão de escolher entre o ruim e o pior".

Para ela, e para um diplomata da União Europeia que pediu anonimato, "estas eleições estiveram cheias de surpresas e de fatos imprevisíveis. Um deles a alta participação e, principalmente, a vitória de Rohani no primeiro turno, algo que ninguém esperava".

"Podíamos pensar que Rohani chegaria ao segundo turno, junto com um candidato ultraconservador patrocinado pelo regime, mas nunca pensamos que ganharia no primeiro e com um número tão arrasador de votos", comentou o diplomata.

Para ele, que acreditava que o novo presidente seria ultraconservador, a vitória de Rohani "foi um giro inesperado e positivo", pois, das opções que havia, "saiu a que parece mais favorável a nossos interesses".

Embora com as devidas reservas, dada a imprevisibilidade da política iraniana, o diplomata assinalou que Rohani poderia favorecer, por sua influência em Khamenei, uma certa aproximação do Ocidente e aliviar as sanções internacionais, o que teria um imediato efeito propício sobre a debilitada economia do país.

O Irã terá que adotar "uma linha nova nas conversas nucleares com as grandes potências e o negociador iraniano, Sail Jalili, não deve continuar no posto, dadas suas posturas radicais e o fato de ter sido candidato nestas eleições, com pouco mais que uma quinta parte de votos de Rohani", disse o diplomata.

"Embora o secretário de Conselho Supremo de Segurança Nacional, máximo negociador internacional nuclear do Irã, seja designado pelo líder supremo, não sei como vai manter Jalili, com uma pressão de 18,5 milhões de votos que assinalam outra direção", explicou.

Outra "batata quente" para a direção religiosa do regime e as forças militares e de segurança que a sustentam são os direitos humanos, civis e políticos, cujo respeito reivindica a grande maioria de iranianos e, como caso especial, o encarceramento dos líderes reformistas Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karrubi.

Moussavi e Karrubi, candidatos presidenciais reformistas em 2009, quando venceu oficialmente o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, denunciaram uma fraude e lideraram os protestos do Movimento Verde, que foram duramente reprimidos pelo regime.

Tachados de rebeldes, Moussavi e Karrubi estão em prisão domiciliar e sem julgamento desde o início de 2011, uma situação que "dificilmente vai poder prolongar-se com um presidente reformista com um apoio popular tão contundente", declarou à Efe um diplomata sul-americano.

EFE   
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