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Irã e Israel dominam agenda de cúpula de países asiáticos

8 jun 2010
15h39
atualizado às 16h00

A discussão sobre as sanções das Nações Unidas contra o Irã por seu programa nuclear e o ataque israelense à frota que levaria ajuda humanitária à Faixa de Gaza dominaram a cúpula de países asiáticos, que terminou mesta terça-feira em Istambul sem conseguir a condenação de Israel esperada pela anfitriã Turquia.

A Conferência sobre Interação e Medidas de Construção de Confiança na Ásia (Cica) reuniu durante dois dias representantes de 22 países, como o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Indiretamente, Putin reconheceu nesta terça-feira que o Conselho de Segurança da ONU se prepara para aprovar uma resolução com novas sanções à República Islâmica, ao expressar, em Istambul, sua postura a favor de que elas não sejam "excessivas".

"Acho que a resolução não deve ser excessiva, não deve colocar os líderes do Irã nem o povo iraniano em uma situação difícil, criando impedimentos para o desenvolvimento de energia nuclear de forma pacífica" no país, disse o líder russo.

Ahmadinejad reiterou sua ameaça de cortar o diálogo com a comunidade internacional se as novas sanções forem aprovadas e advertiu que o acordo alcançado por seu país com Turquia e Brasil é "uma oportunidade única" para resolver o conflito.

Brasil e Turquia defendem no Conselho de Segurança - do qual são membros não-permanentes no momento - dar mais tempo ao Irã, depois de alcançarem no mês passado um acordo de troca de material nuclear com o país.

Segundo o acordo, o Irã se compromete a entregar 1,2 tonelada de urânio enriquecido a 3,5% aos turcos, que será recuperado um ano depois como 120 quilos de combustível nuclear para ser utilizado em um reator científico.

Por outro lado, salvo Israel, todos os membros da Cica - 22 no total, depois que Iraque e Vietnã se uniram ao grupo hoje - condenaram o ataque do Exército israelense a uma frota de navios que levaria ajuda humanitária para a Faixa de Gaza no dia 31 de maio, que causou a morte de nove ativistas.

A falta de consenso por um voto - o israelense - não permitiu que a condenação fosse incluída na declaração final da cúpula. A Turquia teve que conformar-se em incluí-la na "declaração presidencial" do anfitrião do encontro, o presidente turco, Abdullah Gül.

Além da condenação, "todos os países, exceto um, apoiaram o estabelecimento de uma comissão internacional e independente para investigar o ataque à frota e pediram o levantamento do desumano bloqueio de Gaza", disse Gül.

A declaração final afirma apenas que todas as partes do processo de paz no Oriente Médio devem obedecer às regras da ONU e ressalta a importância de uma solução com dois Estados para resolver o conflito entre israelenses e palestinos.

Gül explicou que a condenação a Israel, que a Turquia tinha anunciado que exigiria de seus parceiros da Cica, não foi possível por razões "técnicas", já que a organização precisa do consenso de todos os seus membros para qualquer decisão.

Fontes diplomáticas disseram à Agência Efe que o Governo turco cometeu um erro ao despertar expectativas não realistas sobre a condenação, com pleno conhecimento da necessidade do consenso.

Por outro lado, Gül destacou também que a grande maioria dos países da Cica exige que o Oriente Médio seja uma região livre de armas nucleares e que Israel assine o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e abra todas as suas instalações nucleares a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A declaração conjunta da cúpula aborda um amplo leque de assuntos, como terrorismo e narcotráfico, e, entre outros, ressalta que os países-membros não devem permitir que seus territórios sejam usados por movimentos separatistas.

Gül qualificou a Cica de Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) da Ásia e disse que o interesse e a importância do fórum aumentarão no futuro.

A Turquia ocupará a Presidência do grupo nos próximos dois anos.

EFE   
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