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Intervenção pode ser única solução para Síria, diz oposição

22 fev 2012
11h55
atualizado às 11h58

O grupo de oposição Conselho Nacional Sírio (CNS) disse na quarta-feira que estava chegando à conclusão que uma intervenção militar seria a única solução para a crise de quase um ano de duração que já matou milhares de pessoas na Síria.

O menino Hassan Saad, 13 anos, que abandonou Idlib, na Síria, faz o sinal da vitória enquanto caminha no campo de refugiados em Yayladagi, na fronteira entre a Turquia e a Síria. Hassan diz o que o seu pais foi morto por forças pró-Assad há cinco meses
O menino Hassan Saad, 13 anos, que abandonou Idlib, na Síria, faz o sinal da vitória enquanto caminha no campo de refugiados em Yayladagi, na fronteira entre a Turquia e a Síria. Hassan diz o que o seu pais foi morto por forças pró-Assad há cinco meses
Foto: Reuters

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"Estamos perto de enxergar esta intervenção militar como a única solução. Há dois males: uma intervenção militar ou uma prolongada guerra civil", disse Basma Kodmani, uma autoridade do alto escalão do CNS, em uma coletiva de imprensa em Paris.

Kodmani disse que o CNS também estava propondo à Rússia, que vetou a ação contra o governo da Síria no Conselho de Segurança da ONU, que ajude a persuadir o governo sírio a garantir a passagem em segurança de comboios humanitários que trazem socorro para os civis.

"Para que não haja militarização, a ideia é pedir à Rússia para exercer pressão no regime para não disparar contra corredores humanitários", disse ela. Kodmani afirmou que o CNS propôs a instalação de corredores do Líbano para a cidade cercada de Homs, da Turquia para Idlib e da Jordânia para Deraa.

O Conselho também irá pedir ajuda ao Egito em uma reunião do Grupo de Amigos da Síria que será realizada em Túnis, na sexta-feira, para restringir o acesso ao Canal de Suez para qualquer navio transportando armas para o regime sírio.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

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