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Imunidade para soldados americanos impede acordo EUA-Afeganistão

12 out 2013
18h38
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O presidente afegão, Hamid Karzai, e o secretário americano de Estado, John Kerry, não obtiveram um acordo sobre a presença militar americana no Afeganistão após 2014, apesar das intensas negociações neste sábado em Cabul sobre a imunidade dos soldados dos EUA.

Karzai declarou que foram registrados avanços nas negociações com os Estados Unidos sobre a manutenção de uma presença militar americana no Afeganistão, mas admitiu que persiste um obstáculo.

"Chegamos a uma série de acordos", declarou o presidente afegão. "Mas não obtivemos consenso" sobre a questão da imunidade dos militares.

Kerry advertiu que a questão da imunidade é fundamental para um acordo bilateral de segurança.

"É preciso destacar que se esse assunto (imunidade) não for resolvido, infelizmente não poderá haver tratado", declarou o secretário americano, que chegou na sexta-feira a Cabul para uma visita surpresa de dois dias destinada a avançar as negociações sobre este acordo.

Os Estados Unidos negociam há quase um ano com Cabul um Acordo Bilateral de Segurança (BSA, em inglês) para estabelecer os termos da presença de um contingente americano no Afeganistão no fim da missão das forças da Otan, em 2014.

Karzai e Kerry retomaram na manhã deste sábado as negociações, que duraram muito mais horas do que o previsto no programa inicial.

Os Estados Unidos querem alcançar um acordo rapidamente, por volta do fim de outubro, estabeleceram o presidente americano, Barack Obama, e Karzai.

Karzai mostrou sua reticência em assinar o acordo, mas os Estados Unidos pressionam para que o pacto seja firmado o quanto antes para que a coalizão militar da Otan liderada pelos americanos possa organizar a retirada de seus 87.000 efetivos antes de dezembro de 2014.

Autoridades do Departamento de Estado americano reconhecem que as discussões iniciadas há meses são complexas, mas na noite de sexta-feira "as divergências diminuíram em uma grande maioria de questões em suspenso", disse um deles.

O porta-voz de Karzai também informou que foram registrados avanços nas negociações.

O presidente afegão já indicou em várias ocasiões que as divergências se concentram nas demandas dos americanos para realizar operações militares unilaterais contra os insurgentes e em como os Estados Unidos se comprometeriam a proteger o Afeganistão.

Karzai também rejeitou as pressões para assinar rapidamente o BSA e disse que primeiro pedirá a aprovação de uma grande assembleia de líderes tribais que será convocada em alguns meses.

A retirada das tropas internacionais aumenta os temores do surgimento de uma onda de violência no Afeganistão, um país que sofre as ações dos fundamentalistas talibãs, expulsos do poder em 2001 por uma coalizão internacional.

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