
A iemenita Tawakkol Karman declarou nesta sexta-feira à AFP que seu Prêmio Nobel da Paz é "uma vitória para a revolução" no Iêmen, na qual ela desempenha um papel de destaque. Ela também dedicou o prêmio aos militantes da "Primavera Árabe".
"Este prêmio é uma vitória para a revolução pelo caráter pacífico desta revolução" contra o regime do presidente Ali Abdullah Saleh, afirmou a iemenita, entrevistada na Praça da Mudança em Sanaa, onde os opositores ao regime acampam desde fevereiro.
O Prêmio Nobel da Paz 2011 foi atribuído nesta sexta-feira conjuntamente, pela primeira vez na história, a três mulheres: duas liberianas, a presidente Ellen Johnson Sirleaf e a militante Leymah Gbowee, e uma iemenita, Tawakkol Karman, primeira mulher árabe a receber o prêmio.
"A atribuição deste prêmio é também um reconhecimento pela comunidade internacional de nossa revolução e de sua vitória inevitável", acrescentou Karman.
Em declarações às redes de televisão árabes Al Jazeera e Al Arabiya, Karman dedicou o prêmio aos militantes da "Primavera Árabe". "Trata-se de uma honra para todos os árabes, muçulmanos e mulheres. Dedico este prêmio a todos os militantes da Primavera Árabe", disse.
"Estou muito contente. Não esperava receber este prêmio e nem sequer sabia que minha candidatura havia sido apresentada", acrescentou. A jornalista Tawakkol Karman foi uma das principais líderes das manifestações que, em janeiro, lançaram a rebelião no Iêmen.
Mãe de três filhos, foi detida brevemente no fim de janeiro por seu papel nas manifestações. Em 2005 foi a fundadora da organização "Mulheres Jornalistas sem Correntes".
- A iemenita Tawakkul Karman (esq.) e as liberianas Leymah Gbowee (centro) e Ellen Johnson Sirleaf foram premiadas com o Nobel da Paz Foto: AP
- Karman foi premiada por sua luta pelos direitos das mulheres e pela democracia no Iêmen Foto: AP
- A presidente da Líberia, Ellen Johnson-Sirleaf, foi escolhida pela atuação para mobilizar as mulheres contra a guerra civil no país Foto: AP
- A luta pelos direitos das liberianas também foi decisivo para a escolha de Leymah Gbowee Foto: AP
- Thorbjoern Jagland, secretário-geral do Conselho Europeu e chefe do Prêmio Nobel da Paz anuncia os laureados deste ano, em Oslo Foto: AFP
- Ellen Johnson Sirleaf concede entrevista em sua casa em Monrovia após anúncio do Nobel da Paz Foto: AFP