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Hillary: chance de paz no Oriente Médio pode não se repetir

3 set 2010
17h02
atualizado às 17h42

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, pediu nesta sexta-feira aos líderes israelenses e palestinos que superem os últimos obstáculos para a paz, dizendo que o atual diálogo pode ser a última chance de acabar com o conflito. Falando a TVs da região um dia depois da retomada do diálogo direto entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, Hillary disse que o ceticismo e as suspeitas não podem prevalecer sobre o diálogo, como já ocorreu tantas vezes no passado.

Em momento histórico, Abbas e Netanyahu (dir.) se cumprimentam antes de entrevista conjunta na Casa Branca
Em momento histórico, Abbas e Netanyahu (dir.) se cumprimentam antes de entrevista conjunta na Casa Branca
Foto: Reuters

"Primeiro, acho que o tempo não está ao lado das aspirações de segurança, paz e um Estado, nem para israelenses nem para palestinos", disse ela. "Para mim está claro que as forças do crescimento e da energia positiva estão num conflito com as forças da destruição e da negatividade. E os Estados Unidos querem colocar seu peso no lado dos líderes e do povo que veem esta como talvez a última chance de resolver isso em um longuíssimo tempo."

Após o encontro de quinta-feira em Washington, Netanyahu e Abbas decidiram se encontrar novamente nos dias 14 e 15, e depois disso após mais duas semanas. Ambos os lados ¿ e também o governo de Barack Obama ¿ esperam concluir dentro de um ano um acordo que leve à criação de um Estado palestino que conviva pacificamente com Israel.

Mas analistas veem inúmeros obstáculos para isso, a começar pelo fim da moratória unilateral israelense na ampliação de assentamentos na Cisjordânia, que expira em 26 de setembro. Abbas condiciona a continuidade do diálogo à manutenção dessa moratória, mas Netanyahu, cuja coalizão inclui vários grupos pró-colonos, parece relutante em prorrogá-la.

Hillary disse que é importante que ambos os lados deem passos concretos para melhorar a situação, especialmente em áreas onde há contatos diretos entre palestinos e israelenses. "Então os postos de controle, bloqueios rodoviários, todos os desafios diários que sabemos afetarem os palestinos certamente estão na agenda", afirmou.

"Acho que as negociações políticas precisam ser equiparadas por mudanças no terreno, e por construção de confiança e interações entre israelenses e palestinos."

Ela admitiu que Abbas e Netanyahu enfrentarão dificuldades, mas afirmou que ambos entenderam que encontrar uma solução é algo imperativo para os seus povos. "Esses dois homens, talvez por razões diferentes, podem ser os dois que realmente conseguirão fazer isso."

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