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Governo do Bahrein teme que protestos causem divisões sectárias

17 fev 2011
17h19
atualizado às 18h33

O governo do Bahrein afirmou que o Exército e a Polícia tiveram que intervir nesta quinta-feira perante os protestos políticos que se desenvolvem desde segunda-feira passada no país para "preservar a segurança" e evitar riscos de divisões sectárias entre sunitas e xiitas.

16 de fevereiro - Familiares e manifestantes levam o caixão de Fadel al-Matrook, morto na terça-feirs, em Manama
16 de fevereiro - Familiares e manifestantes levam o caixão de Fadel al-Matrook, morto na terça-feirs, em Manama
Foto: Reuters

"Corremos o risco de que haja uma polarização entre xiitas e sunitas. É muito perigoso", afirmou o ministro de Assuntos Exteriores do país, Khalid Al Khalifa, em entrevista coletiva posterior a uma reunião extraordinária de chefes da diplomacia dos países do Golfo Pérsico.

Al-Khalifa ressaltou que a violência teve início nesta madrugada quando as forças de segurança, apoiadas por unidades do Exército, tentaram evacuar a praça Lulu, um ponto cêntrico da capital do país, onde milhares de manifestantes estavam concentrados desde a noite da última terça-feira.

Esta intervenção, realizada por policiais antidistúrbios enquanto unidades blindadas do Exército mantinham suas posições, deixaram pelo menos quatro mortos, segundo ativistas de direitos humanos.

O Ministério da Saúde confirmou três mortes e disse que havia quase 200 feridos. O ministro negou que o Exército tenha disparado contra os manifestantes.

"O Exército não apontou armas contra os cidadãos. O Exército existe para preservar as conquistas do povo", disse Al-Khalifa. Também negou versões que diziam que a Arábia Saudita teria enviado soldados para apoiar as Forças Armadas do Bahrein: "não chegou nenhum Exército de nenhum país do Golfo Pérsico".

Ele acrescentou que as mortes dos manifestantes "causaram um trauma em todo o povo" e que, até agora, o Bahrein teve sucesso em manter a convivência entre xiitas e sunitas.

Cerca de 70% da população do país é xiita, mas seus líderes são sunitas. "O país não pode ser dividido sobre bases sectárias", disse.

EFE   
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