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Alemanha aprova envio de armas para conter grupo EI

Trata-se de exceção na política externa alemã, que rejeita o fornecimento de armas para regiões em conflito

31 ago 2014
15h53
atualizado às 16h12
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A coalizão alemã de governo, formada por democrata-cristãos e social-democratas, aprovou na noite deste domingo o envio de mísseis antitanques e metralhadoras para ajudar os combatentes curdos no norte do Iraque a conter o avanço do grupo terrorista Estado Islâmico.

O envio deverá incluir 30 armas antitanque do tipo Milan com 500 mísseis e 8 mil fuzis de assalto do tipo G3 e G36, entre outras armas. Além disso, o governo federal deverá liberar mais 50 milhões de euros para ajuda humanitária.

Trata-se de uma exceção na política externa alemã, que rejeita categoricamente o fornecimento de armas para regiões em conflito.

A proposta ainda será levada à aprovação pelo Parlamento alemão, nesta segunda-feira. Apesar de esse fornecimento enfrentar certa resistência entre os social-democratas, o líder do Partido Social Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, declarou esperar grande apoio de sua bancada ao projeto.

A bancada do Partido Verde, por sua vez, anunciou em Berlim neste domingo que irá votar contra a proposta dos democratas-cristãos e social-democratas, justificando que esse fornecimento poderia desestabilizar ainda mais a região.

Veja as principais perguntas e respostas em torno do esforço alemão para conter o avanço do "Estado Islâmico" no norte do Iraque.

Por que o governo alemão intervém no norte do Iraque?
O avanço do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) ameaça todo o Oriente Médio. O grupo conquistou grande parte da Síria e do norte do Iraque, proclamando ali um chamado "califado". De acordo com as Nações Unidas, no "califado" pratica-se um reinado de terror, no qual execuções públicas pertencem à ordem do dia, enquanto outras comunidades religiosas são perseguidas impiedosamente pelos combatentes sunitas do EI. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, falou de um "genocídio".

Qual é o apoio alemão?
A Alemanha já enviou mais de 100 toneladas de suprimentos para os refugiados no país. Além dessa ajuda humanitária, também deverá ser prestada agora ajuda militar para os combatentes curdos. A primeira entrega já está reunida e não contém armas, mas equipamentos de defesa, como capacetes, coletes de proteção e equipamentos de radiocomunicação.

Neste domingo, o governo em Berlim aprovou o fornecimento de armas. Aparentemente, está prevista a disponibilização de fuzis de assalto e armas anticarro, capazes de perfurar veículos blindados, como os mísseis Milan. Calcula-se, atualmente, que todas as unidades do Estado Islâmico possuem pelo menos um tanque de guerra, enquanto os combatentes curdos peshmerga estão lutando com armas de pequeno porte ainda dos tempos da União Soviética.

Quais as tarefas dos seis soldados das Forças Armadas alemãs que já estão no Iraque?
Os seis soldados estão baseados no Consulado Geral da Alemanha em Erbil e devem, de acordo com o site do Exército alemão, coordenar "o fornecimento de equipamento militar e de qualquer instrução a ser dada no local durante a entrega". Ao contrário da maioria das cidades iraquianas, Erbil, capital do Curdistão, é considerada como segura. São raros os atentados. As lutas entre os peshmerga e os combatentes do Estado Islâmico se localizam a 170 quilômetros de distância.

O que outros Estados estão fazendo?
Desde o início de junho, os EUA e o Exército iraquiano estão apoiando os combatentes curdos Peshmerga com bombardeios aéreos contra posições do EI. Além disso, estão fornecendo equipamento de guerra. Um número cada vez maior de países também quer enviar armas e munições, entre eles, a Albânia, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Croácia. A Dinamarca pretende disponibilizar um avião de transporte. Na última terça, o Irã foi um dos primeiros países a iniciar o fornecimento de armas.

Por que as tropas curdas estão sendo apoiadas?
Enquanto o Exército do governo central iraquiano pouco pôde fazer para conter o avanço dos islamistas, as forças peshmerga se mostraram uma tropa eficaz. "O Exército regular iraquiano está dividido por tensões religiosas e étnicas", afirmou Henner Fürtig, diretor de Estudos do Oriente Médio no Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga) em Hamburgo.

"Diferentemente do Exército iraquiano, os peshmerga são altamente motivados, quando se trata de defender a terra curda", afirmou Fürtig. Os cerca de 130 mil combatentes do governo autônomo curdo não possuem Força Aérea, estando, portanto, dependentes dos ataques aéreos americanos.

O apoio aos curdos promete sucesso?
Observadores acreditam que o Exército curdo possa cortar o avanço do EI no Iraque. No entanto, o Estado Islâmico controla uma região que vai da Síria ao Iraque. Calcula-se que nos dois países operam, respectivamente, metade dos quase 15 mil combatentes do grupo terrorista. "Ele pode ser derrotado sem que a parte da organização na Síria seja atingida?", indagou recentemente o general e chefe do Estado-maior americano, Martin Dempsey. "A resposta é não", disse o general.

De acordo com relatos da mídia, os EUA já iniciaram voos de reconhecimento na Síria. Ao mesmo tempo, Washington recusa uma cooperação com o governo sírio, liderado por Bashar al-Assad.

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