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Exército retoma bombardeios em Homs após medidas da Liga Árabe

13 fev 2012
14h44
atualizado às 14h57

As tropas de segurança sírias voltaram nesta segunda-feira a bombardear a localidade de Homs, o principal reduto da oposição, ignorando os pedidos feitos neste domingo pela Liga Árabe para que o regime de Bashar al Assad interrompa a onda de violência no país.

Multidão se reúne em frente à sede da polícia, em Aleppo, após o local ser atingido por uma explosão. Pelo menos vinte e cinco pessoas morreram e 175 ficaram feridas em um duplo ataque com carro-bomba que tinha como objetivo dois prédios das forças de segurança em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, indicou o ministério sírio da Saúde. A ação foi inicialmente reivindicada pelo Exército Livre Sírio (ELS), integrado por militares desertores, mas eles depois acusaram o regime Asad
Multidão se reúne em frente à sede da polícia, em Aleppo, após o local ser atingido por uma explosão. Pelo menos vinte e cinco pessoas morreram e 175 ficaram feridas em um duplo ataque com carro-bomba que tinha como objetivo dois prédios das forças de segurança em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, indicou o ministério sírio da Saúde. A ação foi inicialmente reivindicada pelo Exército Livre Sírio (ELS), integrado por militares desertores, mas eles depois acusaram o regime Asad
Foto: Reuters

Hozam Ibrahim, ativista dos opositores Comitês de Coordenação Local (CCL), explicou à Agência Efe que os "bombardeios indiscriminados" ocorreram em vários bairros da cidade, especialmente Bab Amro e Al Jalidiya.

Ibrahim, que também é membro do Conselho Nacional Sírio (CNS), disse que as forças leais do regime estão realizando os ataques nos arredores do Homs com tanques e metralhadoras.

As comunicações estão cortadas desde domingo na cidade, por isso é difícil saber com precisão o que ocorre no local e o número exato de vítimas, explicou o ativista.

Os CCL informaram em comunicado que três pessoas morreram em Homs, enquanto a Comissão Geral da Revolução Síria denunciou que 13 pessoas perderam a vida na cidade, nove delas no bairro de Bab Amro, mas não identificou a identidade das vítimas.

Este grupo informou que o exército reiniciou os bombardeios e disparos na cidade de Al Quseir, na província de Homs, e que franco-atiradores abriram fogo contra a população. Outra região atingida pelos bombardeios foi Rastan, onde várias casas foram destruídas, segundo a Comissão.

Um dia após a Liga Árabe lançar uma ofensiva diplomática para tentar solucionar a crise na Síria, a violência se estendeu a outras zonas do país, como a província oriental de Rif Damasco, segundo as fontes.

Os ministros árabes das Relações Exteriores solicitaram ontem ao Conselho de Segurança da ONU a criação de uma força de paz conjunta com o organismo internacional para atuar na Síria.

Damasco acusou integrantes da Liga Árabe, como o Catar e a Arábia Saudita, de financiarem grupos terroristas. Desde o início do conflito, mais de cinco mil pessoas morreram devido à repressão governamental, segundo dados da ONU, que deixou de registrar o número de vítimas em função da dificuldade de realizar essa tarefa no país.

Luta por liberdade revoluciona norte africano e península arábica

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

EFE   
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