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Ex-premiê israelense Ariel Sharon morre aos 85 anos em Tel Aviv

Estado de saúde do ex-primeiro-ministro vinha se deteriorando; Sharon foi um dos políticos mais prestigiados e controvertidos da história do país

11 jan 2014
10h34
atualizado às 14h53
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O ex-primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon morreu neste sábado aos 85 anos, oito anos após sofrer um derrame, informaram a família do ex-líder e o governo de Israel. Sharon deixou grandes pegadas históricas no Oriente Médio por meio de invasão militar, construção de assentamentos judaicos nos territórios ocupados que palestinos buscavam para um Estado, mas também um choque, a decisão unilateral de retirada da Faixa de Gaza.

<p>O ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon estava em coma desde que sofreu um derrame em 2006</p>
O ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon estava em coma desde que sofreu um derrame em 2006
Foto: Getty Images

Ariel Sharon: relembre a trajetória do ex-primeiro-ministro de Israel

Ele morreu no Sheba Medical Center, perto de Tel Aviv, onde estava em coma desde que sofreu um derrame no auge do seu poder como primeiro-ministro em janeiro de 2006. Os médicos haviam relatado um enfraquecimento acentuado em sua condição na semana passada.

"Arik era um soldado valoroso e um estadista ousado que contribuiu muito para a segurança e a edificação do Estado de Israel", disse o presidente Shimon Peres, um ex-aliado político de Sharon e, com a morte do ex-primeiro-ministro, o último dos fundadores do estado judeu ainda na vida pública. "Arik amava seu povo e o seu povo o amava", disse Peres, usando o apelido de Sharon. "Ele não conhecia o medo e nunca temeu perseguir uma visão."

Autoridades disseram que Sharon, que assumiu o poder, em 2001, logo após o início de um segundo levante palestino que durou até 2005, seria enterrado em um funeral de Estado para o qual dignitários estrangeiros seriam convidados.

Palestinos acusaram Sharon de provocar sua "Intifada" com uma visita provocativa à mesquita al-Aqsa na Cidade Velha de Jerusalém. Ele também deixou muitos amargurados com a varredura destrutiva pelo exército israelense em áreas da Cisjordânia em 2002 após uma série de atentados suicidas palestinos, e seu cerco ao falecido líder palestino Yasser Arafat em Ramallah.

Mas ele surpreendeu a muitos, retirando soldados e colonos da Faixa de Gaza, em 2005, sob uma política de "desligamento" do conflito e uma busca de diálogo com os palestinos.

A retirada, no entanto, levou à tomada de Gaza pelo movimento islâmico palestino Hamas que, diferentemente do presidente palestino, Mahmoud Abbas, rejeita a paz e a coexistência com Israel.

"Nós nos tornamos mais confiantes na vitória, com a partida deste tirano", disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zurhi, cujo movimento prega a destruição do Estado judeu. "Nosso povo hoje sente extrema felicidade com a morte e partida deste criminoso cujas mãos estavam manchadas com o sangue de nosso povo e o sangue de nossos líderes aqui e no exílio".

Palestinos em Gaza estavam distribuindo doces aos transeuntes e motoristas como comemoração pela morte de Sharon.

A doença devastadora de Sharon ocorreu logo após ele sair do partido de direita Likud e fundar uma facção centrista, com o objetivo declarado de promover a paz com os palestinos.

Repercussão internacional
"Ariel Sharon é uma das figuras mais importantes da história de Israel e como primeiro-ministro tomou decisões corajosas e controversas em busca da paz, antes que ficasse tão tragicamente incapacitado. Israel perdeu hoje um líder importante", disse o primeiro-ministro britânico David Cameron.

"Ariel Sharon... tem sido um importante ator na história do seu país. Depois de uma longa carreira militar e política, ele fez a escolha de virar-se para o diálogo com os palestinos", disse o presidente francês, François Hollande, em comunicado.

O atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu do Likud, está em negociações de paz patrocinadas pelos Estados Unidos com a administração palestina baseada na Cisjordânia do presidente Mahmoud Abbas, mas eles estão atolados em profundas diferenças.

"O povo palestino se lembrará do que Sharon fez e tentou fazer de nosso povo e seu sonho de formar um Estado", disse Wael Abu Youself, um membro sênior da Organização para a Libertação da Palestina.

"Apesar dos assentamentos e guerras que ele lançou contra nós, aqui e no Líbano e com o crime de guerra de (campos de) Sabra e Shatila, Sharon partiu e o povo palestino permanece em suas terras."

Muitos israelenses vão se lembrar Sharon como um líder militar não-conformista que lutou na guerra de fundação de Israel em 1948 e passou a ganhar reputação de desobediência com inclinação para puxar o gatilho, mas também pela bravura e brilhantismo no campo de batalha.

Veja a trajetória do ex-premiê israelense Ariel Sharon em fotos

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