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Ex-chefe do Exército pega perpétua por acusação de golpe na Turquia

5 ago 2013
10h04
atualizado às 17h19
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Um tribunal turco condenou nesta segunda-feira 16 pessoas à prisão perpétua, em um megajulgamento contra 275 acusados de conspirar contra o governo conservador islâmico do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. O ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas turcas entre 2008 e 2010, general Ilker Basbug, de 70 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo tribunal de Silivri, 50 km a oeste de Istambul.

Manifestante exibe bandeira turca para soldados que protegem tribunal em Silivri
Manifestante exibe bandeira turca para soldados que protegem tribunal em Silivri
Foto: Reuters

Entre os 275 réus estavam generais, jornalistas e chefes mafiosos. O militar da reserva indicou estar "de acordo com sua consciência" e afirmou que "o povo terá a última palavra", em um comunicado divulgado ao final do julgamento. Outros generais da reserva, como o ex-chefe da Polícia Militar Sener Eruygur e o ex-comandante do primeiro regimento do Exército Hurist Tolon, além do jornalista Tuncay Ozkan e o ex-líder do pequeno Partido dos Trabalhadores (IP, nacionalista) Dogu Perineck, também foram condenados à prisão perpétua.

Mustafa Balbay, renomado jornalista do jornal de esquerda Cumhuriyet, eleito durante sua detenção deputado do principal partido opositor, o CHP (pró-laicismo), foi condenado a 35 anos de prisão. Também eleito deputado do CHP, o ex-reitor Mehmet Haberal foi condenado a 12 anos e meio de prisão, mas o tribunal ordenou que fosse liberado, por ele ter sido beneficiado pela redução da pena.

Caça às bruxas
Nas primeiras decisões, 21 acusados foram absolvidos neste caso, denunciado pela oposição laica como uma caça às bruxas para calar as críticas ao governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). Sessenta e seis acusados aguardavam o veredicto na prisão.

Cerca de 10.000 manifestantes se reuniram pela manhã perto do tribunal de Silivri para protestar contra o julgamento. Foram registrados confrontos com policiais, que usaram bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersá-los, informou uma jornalista da AFP. Novos enfrentamentos foram registrados à tarde entre os manifestantes e a polícia.

O início do caso remonta a junho de 2007, depois de uma operação antiterrorista em um bairro humilde de Istambul, onde foram encontrados armas e explosivos. O julgamento ficou conhecido como "caso Ergenekon", referência a um mítico vale que teria sido o berço do povo turco e também nome da rede acusada de ter efetuado um golpe de Estado contra Erdogan, no poder desde 2002, semeando o caos com atentados e operações de propaganda.

A ata de acusação exigia duras penas, incluindo a prisão perpétua para 64 acusados por "tentativa de subverter a ordem constitucional à força".

As Forças Armadas, que durante décadas se apresentaram como guardiãs dos valores laicos da República, derrubaram três governos democraticamente eleitos desde 1960 e obrigaram um governo pró-islamita a renunciar em 1997.

Agitando bandeiras nacionais e exibindo imagens de Mustafá Kemal Ataturk, o pai da república laica, os manifestantes pediam o fim do fascismo e a renúncia do governo. "Eu vim para apoiar estes acusados encarcerados por engano há cinco anos: não há prova alguma contra eles", disse Dogan Muldur, um ex-piloto de avião aposentado que se juntou aos manifestantes.

Depois da eclosão do "caso Ergenekon", foram realizados outros julgamentos contra grupos como o Kafes (a Jaula), que, segundo a acusação, preparava atentados contra membros das minorias cristãs, ou o Balyoz, no qual quase 300 militares foram levados ao banco dos réus.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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