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Europa rejeita expansão na Cisjordânia e acena com sanções

10 dez 2012
15h46
atualizado às 21h16
Viviane Vaz
Direto de Bruxelas

Depois de alguns países como Reino Unido e França terem convocado seus embaixadores de Israel, os europeus pretendem manifestar em conjunto sua insatisfação quanto ao anúncio de construção de 3 mil casas em um assentamento judaico na Cisjordânia. Nesta segunda-feira os 27 ministros de Relações Exteriores da União Europeia se reúnem no Conselho Europeu em Bruxelas e devem destacar mais uma vez a lista de locais que não são beneficiados pelo Acordo de Associação entre UE e Israel para preferências tarifárias.

Foto mostra um acampamento beduíno na área E1, entre Jerusalém e o assentamento de Ma'aleh Adumim
Foto mostra um acampamento beduíno na área E1, entre Jerusalém e o assentamento de Ma'aleh Adumim
Foto: AFP

"Israel não perde o sono com pressão da Europa", diz analista

Apesar de garantirem que não pretendem impor sanções econômicas a Israel na prática, a lista publicada em agosto deste ano torna mais cara a importação para a Europa de produtos feitos nas colônias judaicas em Judeia e Samaria e em Jerusalém Oriental. Segundo o texto de exclusão tarifária atualizado em 6 de dezembro na internet, "o tratamento será recusado aos produtos cuja prova de origem indique que a produção que confere o caráter de produto originário teve lugar numa localidade situada num território que esteja sob administração israelita desde junho de 1967".

Depois do almoço desta segunda-feira, os chanceleres europeus têm previsto adotar conclusões conjuntas sobre o status da Palestina na ONU, o cessar-fogo em Gaza, e as recentes decisões das autoridades israelenses quanto aos assentamentos.

A chefe da política externa da UE, Catherine Ashton, manifestou na semana passada sua preocupação com a expansão da área E1 anunciada pelo governo do premiê israelense, Benjamin Netanyahu. Ashton avalia que, se for implementada, a ampliação da colônia judaica de Ma'aleh Adumim irá "comprometer as possibilidades de uma solução negociada para o conflito" e minar a possibilidade de "estabelecimento de um Estado palestino viável e a declaração de Jerusalém como a capital de dois Estados". Os chanceleres europeus também pretendem chamar os palestinos a agir de forma responsável em seu novo status de observador na ONU, e a "não tomar qualquer passo que aumente o conflito e elimine a possibilidade de um solução pacífica".

Represálias
A tensão nas relações entre União Europeia e Israel tem se manifestado também entre a sociedade civil. Um grupo de acadêmicos da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) criou em maio um polêmico círculo para tentar boicotar intercâmbios com universidades e acadêmicos israelenses. O presidente da comunidade judaica em Bruxelas e também professor da ULB, Maurice Sosnowki, destacou na ocasião que boicotes são a pior coisa que pode acontecer entre universidades. "Talvez alguns membros da ULB não saibam, mas 39 prêmios Nobel de diferentes países e origens são contra a iniciativas de boicote", afirmou.

Judeus europeus também estão preocupados com o crescimento de uma extrema direita "neonazi" na Europa. Centenas de pessoas se manifestaram semana passada na capital húngara, Budapeste, contra a proposta do parlamentar Martin Gyongyosi de "listar quantas pessoas são de origem judaica, especialmente no governo, que poderiam representar um certo risco à segurança nacional".

Fonte: Especial para Terra
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