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EUA condena repressão no Egito; europeus convocam embaixadores

15 ago 2013
21h31

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou "energicamente" nesta quinta-feira a violência no Egito, que deixou mais de 600 mortos.

Obama também anunciou o cancelamento dos exercícios militares conjuntos EUA-Egito e alertou que o país está em "um caminho muito perigoso". O presidente interrompeu suas férias de verão, em Martha's Vineyard (Massachussets, nordeste), para falar desses últimos acontecimentos.

Embora a violência "coloque em risco elementos importantes" da cooperação, o secretário da Defesa dos EUA, Chuck Hagel, afirmou que o governo "manterá" suas relações militares bilaterais. Os EUA concedem US$ 1,3 bilhão por ano em ajuda militar ao Egito. Já o Departamento de Estado pediu aos americanos que não viajem para o Egito e, aos que estiverem nesse país, que saiam imediatamente.

A presidência egípcia reagiu à condenação de Obama afirmando que este tipo de declaração, "que não se baseia em fatos, pode estimular grupos armados violentos".

"A presidência agradece a preocupação dos Estados Unidos pelos acontecimentos no Egito, mas gostaria que tivesse esclarecido os fatos. O Egito enfrenta atos terroristas contra instituições governamentais e instalações essenciais", declarou a agência oficial Mena.

Na quarta-feira, o Egito viveu o dia mais sangrento de sua história recente, que deixou quase 600 vítimas fatais. Pelo menos 300 pessoas morreram durante a ofensiva militar e policial contra os simpatizantes do ex-presidente islâmico Mohamed Mursi, deposto pelo Exército.

Os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que se reuniram para consultas na noite desta quinta-feira, esperam que "as partes no Egito mostrem o máximo de contenção".

"Na opinião dos membros do Conselho, é importante acabar com a violência no Egito e que as partes demonstrem o máximo de contenção". Os quinze países também concordam "sobre a necessidade de se acabar com a violência e de se promover a reconciliação nacional", disse a diplomata argentina María Cristina Perceval.

O presidente francês, François Hollande, afirmou "que se deve fazer todo o possível para evitar a guerra civil" no Egito, de acordo com a nota divulgada pela presidência francesa. Nesta quinta de manhã, o embaixador do Egito em Paris foi convocado pelo governo.

"A França está comprometida com encontrar uma solução política e deseja que eleições sejam organizadas o quanto antes, conforme os compromissos assumidos pelas autoridades egípcias de transição", segundo a nota divulgada.

Outros países europeus convocaram os embaixadores do Egito em suas capitais para condenar o uso da força.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, denunciou uma "matança muito grave" no Egito e pediu que sejam tomadas ações. O premier também criticou a "hipocrisia" da comunidade internacional.

Erdogan, chefe do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), de inspiração islâmica, atacou desde o início a destituição de Mohamed Mursi, a qual classificou de "golpe de Estado" - ao contrário da postura prudente adotada pelas nações ocidentais.

Mais tarde, também nesta quinta, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu uma investigação "independente, imparcial, efetiva e confiável sobre as atuações das forças de segurança". Ela declarou ainda que aqueles que foram considerados culpados "terão de responder".

Já o Papa Francisco disse que reza pelas vítimas da violência no Egito e "pela paz, pelo diálogo e pela reconciliação" nesse país.

Na América Latina, a Argentina condenou "a brutal repressão" no Egito e exigiu das autoridades o "fim total e imediato" da violência. O Chile manifestou, por sua vez, "sua profunda preocupação e rejeição ao deplorável aumento dos atos de violência".

A China também expressou "grande preocupação" com a situação no Egito, e a Rússia recomendou a seus cidadãos que evitem viajar para esse país, diante dos "distúrbios" que afetam as zonas turísticas. Segundo uma agência russa para o Turismo, há cerca de 50 mil turistas russos no Egito.

Ontem, após os confrontos, o Egito fechou por tempo indeterminado a passagem fronteiriça com Gaza, em Rafah, na península do Sinai.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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