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Especialistas da ONU confirmam uso de gás sarin em ataque na Síria

16 set 2013
15h28
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Investigadores da Organização das Nações Unidas especializados em armas químicas confirmaram nesta segunda-feira o uso de gás sarin em um ataque com gás venenoso, no dia 21 de agosto, nos subúrbios de Damasco.

Investigador-chefe para armas químicas da Organização das Nações Unidas, Ake Sellstrom, entrega relatório sobre ataque com armas químicas em 21 agosto na Síria ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Nova York. Um repórter do site U.N. Tribune fez um zoom na foto revelando o conteúdo do relatório. A Reuters baixou uma versão em alta resolução da foto e confirmou o conteúdo do texto, que confirma o uso do letal gás nervoso sarin. 15/09/2013.
Investigador-chefe para armas químicas da Organização das Nações Unidas, Ake Sellstrom, entrega relatório sobre ataque com armas químicas em 21 agosto na Síria ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Nova York. Um repórter do site U.N. Tribune fez um zoom na foto revelando o conteúdo do relatório. A Reuters baixou uma versão em alta resolução da foto e confirmou o conteúdo do texto, que confirma o uso do letal gás nervoso sarin. 15/09/2013.
Foto: Paulo Filgueiras / Reuters

"Esta é a confirmação mais significativa do uso de armas químicas contra civis desde que Saddam Hussein as usou em Halabja (Iraque) em 1988", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Como esperado, o relatório não diz quem lançou o ataque no subúrbio de Ghouta, controlado pelos rebeldes.

"Com base em evidências obtidas durante a investigação sobre o incidente de Ghouta, a conclusão é de que armas químicas foram usadas no conflito em andamento entre as partes na República Árabe Síria... contra civis, incluindo crianças, numa escala relativamente grande", afirma o relatório do investigador-chefe da ONU, o sueco Ake Sellstrom.

"Em particular as amostras ambientais, químicas e médicas que coletamos fornecem evidências claras e convincentes de que mísseis terra-terra contendo o agente nervoso sarin foram usados", acrescenta o documento.

O relatório informa que as condições meteorológicas em 21 de agosto causaram o número máximo possível de feridos ou mortos. As temperaturas estavam caindo entre 2h e 5h da manhã, segundo o documento, o que significa que o ar não estava se movendo para cima, mas para baixo em direção ao chão.

"O uso de armas químicas em tais condições meteorológicas maximiza seu impacto potencial, já que o gás pesado pode ficar perto do chão e penetrar em níveis mais baixos de edifícios e construções, onde muitas pessoas estavam procurando abrigo", disse o relatório.

Os resultados da investigação de Sellstrom não são surpreendentes. Há várias semanas o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, anunciou que gás sarin foi usado no ataque na região de Ghouta, perto de Damasco. Os Estados Unidos afirmam que 1.400 pessoas morreram no ataque, entre elas mais de 400 crianças.

"A missão das Nações Unidas confirmou agora, de forma inequívoca e objetiva, que armas químicas foram usadas na Síria", disse Ban ao Conselho de Segurança.

Ban afirmou na sexta-feira que o relatório de Sellstrom seria uma confirmação "esmagadora" do uso de armas químicas.

O chefe da ONU também disse que o presidente sírio, Bashar al-Assad, "cometeu muitos crimes contra a humanidade", embora não tenha dito se as forças de Assad ou se rebeldes que lutam contra ele estiveram por trás do ataque de 21 de agosto. Ele acrescentou que Assad será responsabilizado por seus crimes.

RESPONSABILIDADE INCERTA

Síria e Rússia culparam os rebeldes pelo ataque de 21 de agosto. Os rebeldes, os Estados Unidos e outras potências ocidentais culpam as forças leais a Assad.

Não está claro se algum detalhe do relatório sugeriu culpabilidade. O mandato de Sellstrom se limita a investigar os fatos, não apontar culpados.

Grã-Bretanha, França e Estados Unidos disseram, no entanto, que o relatório da ONU mostrou que "não há dúvida" de que o governo Assad foi responsável pelo ataque químico.

Ban afirmou ao Conselho nesta segunda-feira que 85 por cento das amostras de sangue colhidas por investigadores testaram positivo para sarin, enquanto quase todas as amostras biomédicas verificadas testaram positivo para exposição ao sarin.

"Os sobreviventes relataram que depois de um ataque com bombardeios, eles rapidamente tiveram uma variedade de sintomas, incluindo falta de ar, desorientação, irritação ocular, visão turva, náuseas, vômitos e fraqueza geral", disse Ban.

"Muitos, eventualmente, perderam a consciência", acrescentou. "Socorristas descreveram ter visto um grande número de pessoas deitada no chão, muitas mortas ou inconscientes."

A confirmação pela ONU sobre o uso de sarin em 21 de agosto acontece num momento em que a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos concordaram em realizar uma conversa entre os três países em Paris nesta segunda-feira para buscar uma resolução da ONU "forte e robusta" que estabeleça prazos precisos e obrigatórios para a remoção de armas químicas.

As negociações seguiram um acordo sobre armas químicas da Síria, alcançado no fim de semana por Estados Unidos e Rússia, que poderia evitar uma ação militar dos EUA.

Ban pediu ao Conselho de Segurança considerar maneiras de garantir a aplicação e cumprimento do plano. "Concordo que deve haver consequências para o não cumprimento. Qualquer uso de armas químicas por qualquer pessoa, em qualquer lugar, é um crime", disse ele.

Alguns diplomatas ocidentais afirmaram em condição de anonimato que as informações sobre os tipos de armas e alguns outros detalhes que Sellstrom pode possuir seriam capazes de indicar da responsabilidade do governo no ataque.

Segundo a ONU, mais de 100 mil pessoas morreram na Síria desde março de 2011.

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