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Debate sobre paz com palestinos expõe divisão em governo israelense

21 mai 2013
15h37
atualizado às 16h01

A coalizão de governo israelense expôs uma divisão sobre a eventual criação de um Estado palestino nesta terça-feira, em um momento em que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, prepara uma nova missão para ressuscitar as negociações de paz.

Falando a um comitê do Parlamento, a negociadora-chefe de Israel para o processo de paz, Tzipi Livni, delineou uma visão que, segundo ela, é partilhada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para o fim do conflito que já dura décadas com os palestinos.

"Minha política e a do primeiro-ministro é de que uma solução de dois Estados para dois povos tem de ser alcançada", disse Livni, que lidera um pequeno partido centrista na coalizão de governo.

Membros de extrema-direita da coalizão discordaram em um raro embate público de ideologias entre aliados políticos do governo de Netanyahu.

"Dois Estados para dois povos pode ser a posição de Netanyahu, mas não é a posição oficial do governo. Não é parte de suas linhas básicas", disse Orit Struck, do partido Bayit Yehudi, durante a sessão da comissão de Relações Exteriores e Defesa.

O líder do partido, Naftali Bennett, repetiu por diversas vezes sua oposição ao estabelecimento de um Estado palestino na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza, afirmando que esse Estado, se criado, acabaria sendo governado por militantes islâmicos que querem a destruição de Israel.

Em vez disso, defende o ex-líder de um assentamento judeu, Israel deve anexar grande parte da Cisjordânia, capturada por Israel em uma guerra em 1967, assim como Jerusalém Oriental e Gaza.

Bennett colocou seu partido na coalizão de Netanyahu e não levantou objeções públicas à retomada das negociações de paz que fracassaram em 2010 por conta da construção de assentamentos judeus. Ele sugeriu que não se opôs porque as negociações não têm chance de sucesso.

(Reportagem de Jeffrey Heller)

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