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Com desafios pela frente, novo presidente do Irã é saudado

Rohani surpreendeu ao vencer no primeiro turno as eleições presidenciais do Irã com 50,68% dos votos

16 jun 2013
13h34
atualizado às 13h52
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Marcando o final de oito anos de poder conservador à frente do Executivo iraniano, a eleição do moderado Hassan Rohani foi comemorada por reformistas neste domingo. A tarefa de ocupar o cargo, contudo, não será fácil para o novo governante.

No exterior, a Síria, que mantém relações estreitas com o atual presidente Mahmud Ahmadinejad, manifestou seu desejo de fortalecer seus laços com o novo mandatário iraniano. "A Síria quer desenvolver ainda mais as relações com o novo governo do Irã", disse o primeiro-ministro sírio Wael al-Halaqi, ao receber em Damasco uma delegação de autoridades do setor econômico iraniano.

A Rússia, outra aliada do Irã no que se refere à Síria, também expressou seu desejo de aprofundar suas relações com o regime iraniano. No Líbano, o Hezbollah xiita, apoiado por Teerã, afirmou que o sucessor de Ahmadinejad "traz esperança".

Fora da região, diversas monarquias árabes do Golfo disseram esperar uma melhoria nas relações, atualmente tensas, com a República Islâmica. Israel, ao contrário, pediu para que a comunidade internacional mantenha a pressão para que o Irã interrompa suas atividades nucleares.

A Austrália pediu que Rohani retome as negociações com as grandes potências sobre o tema nuclear "de forma séria". "Rohani não pode mudar o cerne da estratégia iraniana sobre a questão nuclear, determinada pelo líder superemo (Ali Khamenei), mas pode mudar o tom e a equipe (de negociadores)", explicou à AFP Ali Vaez, pesquisador da ONG Internacional Crisis Group, em Bruxelas.

"Adotando uma retórica mais conciliadora e envolvendo negociadores mais experientes, ele poderá causar um impacto positivo" em discussões que estão em impasse há muito tempo, disse.

Sanções internacionais foram impostas para que o Irã, que nega fabricar uma arma nuclear, suspenda seu programa de enriquecimento de urânio. As medidas provocaram um aumento do desemprego, fizeram a inflação saltar para mais de 30% e causaram a desvalorização do rial em quase 70%.

O presidente eleito pregou uma política mais flexível em relação às grandes potências com o objetivo de amenizar as sanções e pediu para que os países ocidentais "reconheçam os direitos da República Islâmica" nas negociações sobre energia nuclear.

Os Estados Unidos se disseram "preparados para colaborar diretamente" com Teerã, mas a questão, assim como todas as pastas estratégicas do país, estão sob o comando direto do aiatolá Khamenei. Uma "détente" com os países ocidentais permitiria ao Irã renovar sua imagem, prejudicada pela repressão ao movimento de contestação das eleições de 2009 e as intempestivas declarações de Ahmadinejad.

Ahmadinejad, que questionou a existência do Holocausto, "era a imagem do Irã no mundo. Esta imagem vai mudar. De agora em diante teremos um homem calmo, preocupado com um discurso moderado", explicou um especialista iraniano que pediu para não ser identificado.

Neste domingo, a imprensa reformista comemorava a vitória. "O sol da moderação nasceu", anunciou o jornal Arman, enquanto o diário Etemad evocou "a saudação do Irã ao xeque da esperança".

A mídia já especula a composição do governo de Rohani, que só tomará posse em 3 de agosto. O presidente eleito reuniu-se ainda no sábado com o presidente do Parlamento, Ali Larijani, para discutir a formação de seu gabinete, que deve ser aprovado pelos deputados, informou o site do Parlamento. Ainda segundo a imprensa, Rohani concederá uma coletiva de imprensa na segunda-feira  a tarde.

Rohani, um clérigo moderado de 64 anos, surpreendeu neste sábado ao vencer no primeiro turno as eleições presidenciais do Irã com 50,68% dos votos. A vitória marca o retorno dos moderados e reformistas ao governo, após um longo hiato iniciado após as manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad em junho de 2009, duramente reprimidas.

Negociador da questão nuclear entre 2003 e 2005, Rohani foi beneficiado pela união dos segmentos moderados e reformistas e por uma grande mobilização dos eleitores, cuja taxa de participação atingiu 72,7%.

Após as cenas de alegria nas ruas de Teerã na noite de sábado, os iranianos voltaram ao trabalho e aguardam a partida de futebol contra a Coreia do Sul na próxima terça-feira. Em caso de vitória, o Irã se classificará para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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