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Cinquenta mortos em bombardeios da aviação síria contra redutos rebeldes

25 abr 2013
16h22
atualizado às 16h34

A aviação síria bombardeou vários redutos rebeldes perto da capital Damasco nesta quinta-feira, dia em que se registrou quase 50 mortos e em que Londres declarou ter informações "convincentes" do uso de armas químicas no país.

Quarenta e nove pessoas morreram nos confrontos desta quinta-feira, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), um dia depois da derrubada do minarete da Mesquita dos Omíadas em Aleppo, joia histórica desta cidade do norte sírio.

Rebeldes e o regime se acusaram mutuamente pela derrubada do minarete

Segundo a Coalizão Opositora, o minarete foi destruído por disparos de tanques do exército sírio. Em um comunicado, ela acusou o regime de "crime contra a civilização". A Mesquita dos Omíadas está situada na Cidade Velha de Aleppo, classificada de patrimônio mundial da Unesco.

Ao menos 10 pessoas morreram na cidade de Qouseir, perto da fronteira libanesa, principal alvo do Exército sírio, que a ataca com o apoio do Hezbollah xiita libanês e as milícias favoráveis ao regime de Bashar al-Assad. Sua tomada é estratégica por estar localizada entre Homs e a região costeira do país.

A aviação também bombardeou Idleb, província do nordeste do país, a cidade rebelde de Raqa (norte), Hasaké (norte) e Deraa (sul), informou o OSDH.

Nesta manhã, alguns helicópteros sobrevoaram Ghouta Oriental, uma região agrícola a leste de Damasco e reduto da rebelião.

Ontem, o Exército retomou o controle da localidade estratégica de Otaybeh que, segundo o OSDH, é uma "porta de entrada para o Exército em Ghouta".

A aviação também atacou Muadamiya al-Sham (sudoeste) e a cidade de Daraya, que as forças do regime tentam tomar há meses.

O OSDH registrou ainda combates em Barzé, bairro do norte de Damasco, no qual os rebeldes conseguiram penetrar pela parte leste.

Maaret al-Nooman, na província de Idleb, localizada na auto-estrada Hama-Aleppo, e vários povoados de Hasaké e Deraa também foram bombardeados.

Na província de Raqa, a aviação atacaou a região próxima a uma refinaria de açúcar, onde combates estão sendo travados entre o Exército e os rebeldes.

Nesta quinta-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores britânico declarou que Londres tem "informações limitadas, mas convincentes" sobre o uso de armas químicas na Síria, principalmente de gás sarin.

"Recebemos informações limitadas, mas convincentes de várias fontes provando a utilização de armas químicas na Síria, principalmente gás sarin", indicou o porta-voz.

"A utilização de armas químicas é um crime de guerra. Repassamos esta informação a nossos aliados, nossos parceiros e às Nações Unidas e trabalhamos ativamente para obter mais e melhores informações", acrescentou em um comunicado.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, "deve cooperar com a comunidade internacional e provar que seu regime não cometeu este crime horrível, permitindo acesso ilimitado à ONU e à OIAC (Organização para a Interdição de Armas Químicas) para que uma investigação seja realizada na Síria", segundo a mesma fonte.

Horas antes, o secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, declarou em Abu Dhabi que os Estados Unidos acreditavam que o regime sírio utilizou armas químicas "em pequena escala".

A Casa Branca confirmou o envio dessa avaliação aos membros do Congresso, mas ressaltou que os indícios não constituem ainda uma prova a seus olhos.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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