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Chefe da "ciberpolicía" do Irã é cassado após morte de blogueiro

1 dez 2012
14h22
atualizado às 14h34

O chefe da "ciberpolicía" do Irã, general Mohamad Hassan Shokrian, foi cassado neste sábado por negligência após a morte há um mês do blogueiro Sattar Behesti, enquanto estava detido por um suposto delito contra a segurança nacional na prisão de Evin de Teerã, informou a agência oficial Irna.

Segundo a informação, o chefe da Polícia do Irã, general Esmail Ahmadi Mogadam, ditou hoje a cassação de Shokrian por "negligência e insuficiente supervisão sobre a conduta de seus subordinados" em relação com a morte de Behesti, que, segundo diversas fontes, foi torturado.

No último dia 26 de novembro, o representante especial do Parlamento do Irã para a investigação do caso, o deputado Mehdi Davatgari, disse que a "ciberpolicía" atuou ilegalmente após a detenção de Behesti e pediu a renúncia ou a cassação de Shokrian.

Davatgari afirmou então que a prisão de Behesti foi legal, "mas a violação da lei neste caso pela ''ciberpolicía'' é indubitável", já que "detiveram o suspeito detido sem ordem judicial toda uma noite, o que é totalmente contrário à lei", apesar de ter apontado que sua morte não foi causada por golpes físicos.

No mesmo dia que Davatgari pediu a demissão de Shokrian, três sindicatos do Irã instaram o Governo a levar perante a Justiça os supostos autores da morte de Behesti, por suspeitar que poderia ter ocorrido após torturas.

Em comunicado conjunto, segundo o site opositor reformista islâmico Kaleme, os três sindicatos rejeitam a alegação que Behesti atentou contra a segurança do país e afirmam que "não cometeu nenhum delito, além de falar contra a injustiça e a pobreza que dominam a vida dos trabalhadores".

Segundo a versão oficial, derivada do relatório de uma comissão legista que estuda o caso, "a causa mais provável (da morte de Behesti) poderia ser uma comoção", causada pela forte tensão psicológica após sua detenção, mas ainda "não é possível precisar o motivo exato".

No entanto, a mãe de Behesti, segundo o site opositor "Saham News", disse que viu sangue no corpo de seu filho durante o funeral e que não sofria nenhum problema cardíaco nem tomava remédios, como asseguraram os legistas.

A família de Behesti também denunciou ter recebido pressões e ameaças das autoridades para que não falem com meios de comunicação sobre o caso, segundo páginas de internet opositoras iranianas.

EFE   

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