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Ban: relatório da ONU confirma que armas químicas foram usadas na Síria

Oitenta e cinco por cento das amostras de sangue testaram positivo para sarin, disse o secretário-geral da ONU em carta ao Conselho de Segurança

16 set 2013
13h04
atualizado às 16h01
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O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou nesta segunda-feira que a missão de inspetores da ONU confirmou, "inequivocamente e objetivamente, que armas químicas foram utilizadas na Síria". Em carta enviada ao Conselho de Segurança, o chefe das Nações Unidas também disse que quase todos os testes deram positivo para o gás sarin.

Ake Sellstrom (esq.), chefe de inspetores da ONU, entrega relatório ao secretário-geral Ban Ki-moon
Ake Sellstrom (esq.), chefe de inspetores da ONU, entrega relatório ao secretário-geral Ban Ki-moon
Foto: Reuters

Ban afirmou que o uso de armas químicas na Síria constitui um crime de guerra e exigiu uma resolução que apoie o desmantelamento desse arsenal. Ban fez essas declarações durante consultas a portas fechadas com o órgão executivo de 15 membros da ONU, nas quais também afirmou que os médicos encontraram pessoas morrendo nas ruas depois do ataque com gás sarin em 21 de agosto nos arredores de Damasco.

"Isso é um crime de guerra e uma grave violação do Protocolo 1925 e outros e regras da lei internacional. Eu confio que todos possam se juntar a mim na condenação desse crime desprezível", disse Ban ao Conselho de Segurança, segundo a íntegra do documento divulgado pela ONU.

"As amostras ambientais e biomédicas demonstram a vasta natureza dos ataques. Oitenta e cinco por cento das amostras de sangue testaram positivo para sarin. As amostras biomédicas foram retiradas de 34 dos 36 pacientes selecionados pela missão que tinham sinais de envenenamento. Quase todas testaram positivo para exposição a sarin", disse Ban na carta.

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O Terra compilou alguns dos principais materiais fotográficos disponibilizados ao longo destes mais de dois anos de guerra na Síria. Cada imagem leva a uma galeria que conta um episódio específico ou remete a uma situação importante do conflito.

O secretário-geral da ONU acrescentou que amostras retiradas dos locais impactados no ataque de 21 de agosto e de áreas próximas também confirmaram o uso de gás sarin. Ban afirmou ainda que a missão da ONU conseguiu examinar foguetes e fragmentos de foguetes capazes de carregar armas químicas que foram utilizados na região investigada e que eles continham amostras de sarin.

Segundo Ban, os pacientes afetados foram diagnostiacados com sintomas que incluíam perdam de conciência, falta de ar, visão turva, inflamação nos olhos, vômito e convulsões, todos remetem à exposição a sarin. "Os resultados são impressionantes e indiscutíveis. Os fatos falam por si só", acrescentou o secretário-geral da ONU.

O chefe da missão da ONU, Ake Sellstrom, entregou nesta segunda-feira a Ban Ki-moon o relatório sobre a utilização de armas químicas nos arredores de Damasco no dia 21 de agosto. "Com base na evidência obtida durante nossa investigação do incidente em Ghouta: nossa conclusão é de que armas químicas foram utilizadas no conflito na Síria, também contra civis, incluindo crianças, em relativa grande escala", diz o relatório da missão da ONU.

"Em particular, as amostras ambiental, química e médicas que coletamos fornecem clara e convincente evidências de que mísseis superfície-superfície contendo o agente nervoso sarin foram usados em Ein Tarma, Moadamiyah e Zamalka, na área de Ghouta em Damasco. O resultado nos deixa com a mais profunda preocupação", acrescenta o relatório.

Diante dos fatos apresentados no relatório, o secretário-geral reforçou ao Conselho que a comunidade internacional tem a "responsabilidade moral" de levar os responsáveis à justiça e de garantir que armas químicas não voltem a ser utilizadas como um instrumento para um ato de guerra. Ban, no entanto, afirmou que o relatório não teve por objetivo concluir quem estava por trás do ataque químico.

Sobre o acordo fechado este fim de semana entre Estados Unidos e Rússia no qual a Síria se comprometeu a por sob controle internacional seu arsenal químico para que seja destruído, Ban mostrou sua disposição de apoiar o plano russo por todas as vias possíveis. "Agora a unidade do Conselho de Segurança será crítica. Dada a gravidade da situação, insisto para que o Conselho considere as vias necessárias para garantir que se cumpra o plano através de uma resolução clara", disse Ban, para quem é necessário estabelecer consequências caso a Síria não cumpra sua parte.

O secretário-geral afirmou que este é a maior confirmação de uso de armas químicas contra a população civil desde que foram usadas pelo regime de Saddam Hussein em 1988, e acrescentou que a situação humanitária na Síria é "desesperadora", o que torna necessário fazer todo o possível para que as partes se sentem e negociem.

"Meu desejo é que este incidente sirva como uma chamada de atenção para redobrar os esforços que permitam resolver este conflito e pôr fim ao insuportável sofrimento da população civil", concluiu o secretário-geral.

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Com informações de agências internacionais

Terra

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